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com Renata Berenguer

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Crianças e adolescentes na internet: como protegê-los?

Publicado: 15/02/2023 às 15:30

/Foto: Reprodução/Pixabay

(Foto: Reprodução/Pixabay)

Você deixaria o seu filho pequeno no centro de uma cidade movimentada sem nenhum adulto de confiança para tomar conta? 

Imagine essa cena: você leva seu filho ao centro de uma cidade muito movimentada, deixa ele lá, vira as costas e volta para casa.

Você faria isso com seu filho pequeno?

Então por que seria diferente na internet?

Atualmente, se observa que, em algumas famílias, o celular ou o notebook se transformaram em chupeta digital, ou seja, cientes de que os dispositivos têm a capacidade de entreter a criança, o adulto permite que o menor faça uso com essa finalidade de acalmar e ocupar o pequeno. Pode parecer inofensivo e útil, mas não é bem assim.

Assim como não se deixaria um filho no centro de uma cidade movimentada sem ninguém para cuidar dele, porque os riscos são inúmeros, o mesmo se aplica à internet. Na verdade, na internet é ainda pior, visto que no ambiente presencial, seria até possível que ele encontrasse alguém que o ajudasse, ou até protegesse de algo visivelmente perigoso que estivesse acontecendo ou prestes a acontecer. Na internet, isso não ocorre, pois a maioria das interações que são perigosas, e demandam atenção, ocorrem sem que outros percebam, impossibilitando, à princípio, qualquer tipo de ajuda de terceiros.

Um estudo da Norton apontou que, 42% dos brasileiros dizem que confiam em seus filhos para navegar na Internet sem monitoramento. Porém, aproximadamente 3 em cada 4 entrevistados relataram que seus filhos já acessaram conteúdos adultos e inapropriados, além de fornecerem informações pessoais sem consentimento. Quase 74% dos pais entrevistados relatam que seus filhos já participaram de atividades online perigosas sem permissão, 78% dos adultos acreditam que as crianças são minimamente propensas a fornecer informações pessoais de seus familiares online. E 33% dos entrevistados dizem que seus filhos já usaram o dispositivo dos pais e clicaram em um link suspeito, e mais, 43% entraram em contato com alguém sem querer, 18% acessaram conteúdos adultos ou impróprios para a idade, conforme relato do Inforchannel.

É preciso entender que a rede não é um ambiente seguro para crianças, pessoas mal-intencionadas rondam perfis infantis na busca de dar início a uma “amizade” e para isso usam perfis com foto de crianças ou de personagens infantis. O contato inicial pode rapidamente seguir para o WhatsApp, e tudo isso é extremamente arriscado para a criança. 

A própria criança pode dar informações durante a conversa, do nome dos pais, da sua escola, entre outras coisas que pode deixá-la em risco. Além da possibilidade de a informação ser utilizada posteriormente pelo criminoso para ameaçá-la ou chantageá-la.
Ademais, há ainda os vídeos expostos no YouTube que pode causar riscos aos menores, se ao assisti-los eles decidirem repetir o que está sendo proposto, dificilmente eles pediram permissão ou ajuda, alguns desafios e jogos podem levar a inúmeros riscos, em alguns casos levando à morte. Casos assim já foram amplamente divulgados na mídia, notícias de crianças que inalaram desodorante e morreram são facilmente localizadas nas pesquisas do Google, um menino de 10 anos e uma menina de 7 anos, estão entre as vítimas, entre tantos casos que muitas vezes sequer são divulgados.

Jogos como o da asfixia, que desafia o usuário a passar mais tempo sem respirar, também fazem vítimas, podendo causar sérias lesões ou até a morte, desafios como o “desafio da canela” que sugere que o jogador inale canela onde o objetivo é de engolir uma colher de sopa cheia de canela em pó em um minuto, ou o “desafio do desodorante” que visa inalar o produto por mais tempo, ou o “desafio do spray” que visa ficar com o jato na pele por 10 segundos, todos podem causar lesões ou ter piores consequências.

Os riscos de deixar uma criança sem supervisão na internet são incalculáveis.



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