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(Foto: Freepik / Divulgação)
O estelionato emocional ou sentimental, ocorre quando a vítima conhece o golpista e acredita que ele é sua cara metade, imagina que vai viver o relacionamento que sempre sonhou, por outro lado, o golpista cerca a vítima de mimos, de atenção. A vítima acredita que está de fato em um relacionamento amoroso, é iludida e levada a crer que tudo que sente é recíproco, que terão uma vida juntos, pois o golpista alimenta esses pensamentos, manipula, envolve, galanteia, faz com que se apaixone, e alimenta o sentimento até o momento do golpe.
É importante destacar que estelionato sentimental não tem tipificação penal específica, mas a conduta pode ser enquadrada em alguns tipos penais a depender do caso concreto, tais como, estelionato, falsa identidade, estelionato sexual etc.
Trata-se de uma armadilha onde um golpista demonstra interesse sentimental/emocional na vítima, envolvendo-a com falsas promessas, cercando-a de atenção, fazendo com que ela se sinta especial, para que acredite na existência de um interesse sentimental legítimo, no qual, supostamente haveria amor, parceria e intenção de um futuro juntos, contudo, é uma cilada.
Importante destacar que não há nenhum envolvimento emocional por parte do golpista, é tudo parte de um script para o golpe. O único interesse que possui é o de obter vantagens e ganhos financeiros, seja através de favores, de dinheiro, que pede a vítima para quitar dívidas, empréstimos, resolver seus pesados problemas, e a vítima acaba querendo ajudar, pois tudo vem com um lado positivo, um ganho, a mudança para o Brasil, o casamento, ou mesmo investimentos em supostas boas oportunidades.
A vítima seduzida dará suas economias por livre arbítrio, poderá contrair dívida, fazer empréstimos, tudo para atender as demandas do golpista, sem que haja qualquer ameaça ou imposição, apenas por acreditar que está fazendo o correto, afinal, é comum em uma relação em que haja amor, que as pessoas se apoiem, se ajudem, então, para a vítima ela está investindo na relação, no futuro, porque crê no cenário desenvolvido pelo golpista.
As histórias são diversas, às vezes se apresentam como bem-sucedidos, um bom partido precisando se organizar, a vítima acaba vendo uma oportunidade de ter alguém com quem possa construir um futuro e caem no golpe.
Outros, contam histórias mais sofridas, têm filhos que precisam de ajuda, são viúvos, sozinhos, sem familiares, outros são excelentes pessoas, mas passam muita dificuldade por um ou outro problema, mas todos são éticos, íntegros, e assim, a vítima passa a admirar a suposta integridade do golpista, e se solidariza com seus problemas e acaba desejando ajudar.
O estelionato sentimental é mais facilmente aplicado em pessoas sozinhas, recém separadas, carentes, e/ou com mais idade, em suma, vulneráveis.
Segundo a psicóloga Lia Clerot “O estelionatário já se aproxima querendo tirar vantagens. O golpista busca o mesmo perfil e, na maioria das vezes, conhece as vítimas pela internet”. O golpista faz uma pesquisa prévia sobre a vítima, dificilmente a escolha é aleatória, e munido com informações sobre seu estilo de vida, posses, hábitos, fica mais fácil a escolha e a abordagem.
A distância geográfica que é um empecilho para o relacionamento, é usada pelo golpista para pedir o cartão para emitir as passagens, para aplacar a saudade, para poderem enfim se conhecer presencialmente, ou diz que vai enviar dinheiro e presentes, em seguida informa que eles ficaram presos na Receita Federal e pedem dinheiro para liberá-los e então bloqueiam a vítima, apagam a conta, somem.
Os golpistas normalmente criam laços sexuais com as vítimas, que ao enviar nudes, fazer vídeos e ou manter relações sexuais à distância ficam ainda mais vulneráveis, o que pode ser também um risco a mais para a vítima, afinal podem ser extorquidas, chantageadas, ameaçadas.
Os golpistas se apresentam com fotos de terceiros, por isso não costumam fazer chamadas de vídeo, algumas delas são de pessoas comuns capturadas na Internet, configurando inclusive o crime de falsa identidade.
É possível encontrar inúmeros relatos na Internet das vítimas, mas muitas acabam com vergonha de compartilhar que caíram no golpe, por isso não denunciam, nem fazem Boletim de Ocorrência.
Por fim, para não se tornar vítima, observe as fotos das redes sociais, veja se tem interações com outras pessoas, pesquisa no Google a imagem de perfil, ela pode ter sido usada em outros perfis. Não se envolva emocionalmente sem essa análise, verifique se a pessoa realmente existe, atente se ela não faz chamadas de vídeo, desconfie se a sua história for muito triste, ou se ela quer aparecer e ostentar demais, não envie dinheiro, ou passe informações pessoais, familiares e financeiras antes de conhecer a pessoa presencialmente, e avise aos familiares se for conhecer pessoalmente, indicando o local onde estará, procure locais públicos para tais encontros.
Todo cuidado é pouco!
Sugestão de filme: o Golpista do Tinder.
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