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Diario Econômico

Com Pedro Ivo Bernardes

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Economia de PE: novo ciclo?

Publicado: 27/10/2022 às 06:00

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O período mais dinâmico da economia de Pernambuco no passado recente foi entre 2007 e 2014. Foi a época dos grandes investimentos em empreendimentos produtivos e obras de infraestrutura. Só em Goiana foram investidos R$ 7 bilhões para implantar a montadora da Jeep, hoje controlada pela Stelanttis. Na outra ponta do estado, em Suape, foram instalados dois estaleiros, uma refinaria e dezenas de indústrias. O crescimento médio nessa fase foi de 4,1 % ao ano, contra 3,5% da taxa nacional.

Mas, em 2015, a crise começou a se instalar e Pernambuco viu seu crescimento declinar. A retração econômica fez o Produto Interno Bruto (PIB) local recuar para -4,2%. Em 2016, ficou em -2,9%. Quando a economia deu indícios de se recuperar, veio a pandemia em 2019 e novo baque…

Mas, em 2021, o PIB voltou a crescer, fechando em 4,2% e ficando próximo do desempenho nacional, de 4,6%. Será um sinal de que o estado avança para um novo ciclo? Foi movida por essa curiosidade que conversei com o economista André Morais, presidente do Conselho Regional de Economia, o Corecon-PE. Ele é o entrevistado desta semana no podcast Diario Econômico.
 
Desemprego
Há grande expectativa com a recuperação econômica em virtude do desemprego. Nos últimos anos, Pernambuco esteve mal neste assunto. Em 2021, o estado liderou a desocupação do país: 19,3% - ou 831 mil pessoas. É praticamente a metade da população de Recife, que alcança 1,5 milhão de habitantes.

Melhora
Este ano houve uma melhora: o índice caiu para 13,6%, deixando o estado na segunda posição no ranking nacional, atrás da Bahia. Melhorou, mas ainda são aproximadamente 500 mil pessoas desempregadas, mais que toda população de Caruaru, que é de 369 mil habitantes, ou de Olinda, que tem 393 mil moradores, por exemplo.
 
Dependência
Só que a economia local depende do desempenho nacional. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2022 vem caindo a cada semana, e já soma 17 baixas consecutivas, com previsão de fechar o ano em 5,62%. O problema é que se espera um ano difícil em 2023, diante do derrame de dinheiro que se viu nestas eleições.
 
Selic
O próprio BC prevê níveis elevados da Selic para o 1º semestre de 2023. A taxa está em 13,75% ao ano e só deve cair para 11,25% no final de 2023. Isso indica que o BC manterá alta a taxa para conter a inflação ao longo do próximo ano. “A próxima governadora pode fazer a diferença para Pernambuco, caso dê atenção a setores importantes”, alerta Morais e no podcast ele elenca quais são.

Carreira
Responsáveis pelas projeções e cenários, os economistas sempre ficam em alta quando o país está em crise. Na conversa, André Morais conta que, no entanto, eles têm migrado para bancos e fintechs e esta será uma tendência nos próximos anos, em detrimento de uma maior oferta de análises conjunturais para nos guiar.

Prêmio
O presidente do Corecon falou ainda do prêmio nacional de boas práticas de gestão que a entidade recebeu do Conselho Nacional da categoria e de como tem crescido o número de alunos de economia no interior do estado. 

Confira todo o conteúdo desse bate-papo. Os links estão aqui abaixo:

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