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A Literatura está morrendo?

Raimundo Carrero

Publicado: 25/04/2026 às 10:51

Coluna de Raimundo Carrero será veiculada nas edições de fim de semana do Diario, a partir deste sábado (18)/Marina Torres/DP

Coluna de Raimundo Carrero será veiculada nas edições de fim de semana do Diario, a partir deste sábado (18) (Marina Torres/DP)

Com a criação da Biblioteca Virtual do Governo Federal - uma decisão revolucionária, porque altera completamente o hábito da leitura no Brasil - recebo muitas ligações telefônicas e mensagens de curiosos que me perguntam, indagam, divergem: a literatura está morrendo? Me perguntam não só pela literatura, mas também pela coluna - o que seria pouco, muito pouco - mas pelo amor à literatura, por este amor incontrolável que me faz viver horas e horas diante de um livro, ou mais, que me faz escrever histórias numa sequência de quase um livro por ano. Não estou dizendo “publicar um livro por ano”, mas de escrever, talvez mais de um por ano. Ah, e se eu tivesse que publicar um livro por ano, nem as editoras aguentariam? Levanto-me todos os dias para escrever, e tenho leitores para cada palavra que escrevo trancado nesta insólita, silenciosa e estranha biblioteca, onde me reúno comigo mesmo, e unicamente. Perguntam-me: a literatura está morrendo? E então como a literatura morre se me tranco aqui todos os dias para escrever? E para publicar… Sinceramente, para publicar ainda não, o que não depende somente de meu esforço, mas envolve toda uma engrenagem que reúne um número incrível de funcionários, técnicos, trabalhadores… Mas recebo também diariamente um número inacreditável de livros. Assim, a literatura está viva. Vivíssima. Os editores não iam gastar tanto dinheiro apenas pelo sonho romântico. Tem pessoas que conduzem um celular na bolsa e mais um livro físico.

Morrendo, perguntam-me, a literatura está morrendo? Embora esta incômoda pergunta seja ainda mais profunda: o livro está morrendo? Não somente a literatura, mas o livro mesmo, com sua atração e sua mágica.

Viva, complexa e diversa, a literatura brasileira sempre seduziu um número inacreditável de leitores e de movimentos literários de profunda influência social, política e cultural. No Regionalismo, muitas vezes chamado de conservador e tradicionalista, surgiram nomes
como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Raquel de Queiroz e Érico Veríssimo, todos de
vendagem exemplar. E, claro, que aí se destaca Jorge Amado, com tiragens vultosas, embora Josélia Aguiar tenha demonstrado na biografia do escritor baiano que esta proclamada vendagem se deveu a estratégias montadas pelo partido comunista para aquisição dos seus filiados exemplar por exemplar, entre elas o aluguel do estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, para a dissimulada festa de lançamento. Somente neste evento vendiam-se mais de 100 mil exemplares.

Agora, quando 100 mil é apenas uma boa tiragem e com o surgimento de tablets, celulares e laptops, a pergunta se estende de forma incrível com autores preparados para negócios e projetos de leituras em todos os lugares. Não parece ingênuo e surpreendente que perguntas assim sejam feitas? Livros e literatura estão bem vivos… Em veículos diferentes, é verdade, mas vivos. Menos papel… E mais tecnologia… Assim é a história… É assim...

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