Todo mundo nu: Flávio na orgia, Lula com Dino
Preocupados exclusivamente com seus próprios interesses, líderes políticos e jurídicos da República atropelam limites institucionais e expõem cenário de degradação democrática
Publicado: 30/09/2026 às 10:49
O presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva e o senador e candidato pelo PL, Flávio Bolsonaro (Ricardo Stuckert e Saulo Cruz/Agência Senado)
A poucos dias do primeiro turno, a República decidiu tirar a roupa na praça. Nesta terça, o PlatôBR revelou arquivos guardados por Alexandre Santini, ex-sócio de Flávio Bolsonaro na famosa chocolateria das rachadinhas. Mensagens insinuam festas com garotas de programa em hotel na Barra da Tijuca. Segundo a reportagem, fotos da traição teriam sido levadas pelo ex-sócio à mulher do senador em meio a uma briga entre os amigos. Nas mensagens vazadas, um singelo tom de arrependimento, providência divina e pedido de desculpas por "muitas escolhas erradas".
A revelação expõe uma grande hipocrisia no estilo de vida da família Bolsonaro, supostamente defensora dos bons costumes. Mas não chega a surpreender. Ecoa os ensinamentos de seu pai, Jair, que já justificou o uso de auxílio moradia da Câmara dos Deputados em aluguel de imóvel suspeito “para comer gente”. Apesar disso, as orgias de Flávio deveriam ser tema privado, para o âmbito do seu casamento. O problema do eleitor aparece na sequência.
Um Rolex de ouro branco, comprado em 10 de fevereiro de 2022 por R$ 305 mil, com nota em nome do advogado Alan Belaciano, dono de uma casa no Lago Sul apelidada de "bunker de lobby". Destino do mimo, segundo as mensagens: o candidato à presidente. A acusação fica mais grave. Flávio teria tratado diretamente com o ministro Kassio Nunes Marques, indicado pelo seu pai ao STF, sobre o processo de um cliente de Belaciano. Receber grandes valores para abrir portas poderosas tem definição no código penal: tráfico de influência. Nesse caso, com o mesmo ministro Kassio que hoje preside o TSE.
Importante registrar que Flávio chamou as acusações de Santini de infundadas. Detalhe: hoje, Santini faz campanha para Flávio.
Do outro lado, a nudez veio por telefone. Em Belém, Lula ligou ao vivo para o ministro Flávio Dino, encostou o celular no microfone e disse que não queria sancionar sem falar com ele uma lei de sua autoria, ainda como senador, após a morte do filho. A lei tem mérito. A dor é real. Mas o contexto também é.
Foi Dino quem derrubou a ordem de André Mendonça, no TSE, que mandava apagar posts ligando o adversário de Lula ao "fim da padroeira". A decisão de Mendonça é controversa, e deveria ser derrubada. Mas o rito adequado seria no pleno do TSE, não uma canetada atropelada de Dino. Em plena campanha eleitoral, a insegurança jurídica ganha ares de jogo viciado quando um ministro do Supremo recebe ligação de cima de um palanque político.
Em outubro de 2022, o candidato Lula se orgulhava de não ter indicado "nenhum amigo" ao Supremo. E de nunca ter pedido um favor pessoal. Quatro anos depois, exibe a amizade em transmissão ao vivo. Se um candidato é acusado de negociar com ministro por meio de lobista, e o outro telefona para o seu ministro em plena campanha, quem sobra para apitar o jogo? Que árbitro o derrotado vai aceitar? E quantos brasileiros ainda acreditam que a toga pesa mais que o compadrio?