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com Mano Ferreira

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A dimensão do desmantelo herdado

Série de sabatinas do Diario evidenciou ostracismo do ex-governador Paulo Câmara, convertido em figura tóxica 4 anos após deixar a gestão do estado com grande reprovação

Mano Ferreira

Publicado: 27/08/2026 às 06:16

Raquel Lyra e João Campos/Karol Rodrigues/DP Foto

Raquel Lyra e João Campos (Karol Rodrigues/DP Foto)

A governadora Raquel Lyra encerrou ontem a série de três sabatinas do Diario com candidatos ao governo de Pernambuco falando sobre a “casa desmantelada” que recebeu. A expressão foi usada para responder a questão da colega Renata Bezerra de Melo sobre problemas do presídio de Igarassu. Raquel não negou que há um problema: “O sistema penitenciário de Pernambuco é muito ruim. Mas tá melhorando. A gente pegou terra arrasada”, disse.

A atitude contrasta com a escolha de João ao ser indagado, também por Renata, sobre o interesse de defender a gestão de Paulo Câmara: “O debate que o povo espera não é sobre o passado”, desviou. Ao continuar sua resposta, João sequer mencionou o nome de Paulo, em tese seu aliado. Mais do que isso: seu antigo líder, dado que João começou sua carreira política na chefia de gabinete da gestão de Paulo Câmara.

Não é um detalhe. Paulo Câmara comandou Pernambuco por oito anos. Foi reeleito no primeiro turno. Agora, mal encontra quem o defenda. Nem seu antigo chefe de gabinete.

Na sabatina, João argumenta que o eleitor tem uma prioridade: saber “quem pode realizar obra, quem pode construir hospital, quem pode tirar creche do papel”. De fato, avaliar a capacidade de realização dos candidatos é um fator fundamental para a escolha consciente. Para isso, é fundamental fornecer aos eleitores a devida contextualização das circunstâncias de cada um ao longo da vida pública, para que seja possível avaliar com justiça a trajetória de erros, acertos e aprendizados.

É curioso, portanto, que João tenha dificuldade de falar da sua estreia na vida pública, demonstrando até mesmo uma certa dose de irritação com a pergunta de Renata.

No texto de ontem, tratei da dificuldade do atual governo de cumprir a promessa de entregar 250 creches. Em conversa com a coluna, membros da gestão corrigiram minha expectativa para a concretização completa das obras: primeiro semestre de 2027, e não meados de 2028, como escrevi. Explicam que boa parte do atraso do cronograma tem como causa a casa desmantelada que receberam.

“Não foi fácil identificar 250 terrenos adequados para as creches. O governo não tinha sequer um inventário atualizado dos seus próprios terrenos”, ouvi. “Estruturamos mais de 200 contratos para obras e até hoje não tivemos um único aditivo”, complementou minha fonte. Há nessa afirmação uma crítica clara ao volume de aditivos em obras feitas por gestões passadas.

O relato da governadora na sabatina vai na mesma direção: “você sabe quantos leitos de hospital não tem habilitação no sistema para receber dinheiro do governo federal porque não obedece às normas de vigilância sanitária?”.

A postura firme da governadora ajuda a entender o avanço de sua popularidade que as pesquisas constatam nos últimos meses. Não há negacionismo. Por isso, uma resposta só será convincente sem desvios. É preciso franqueza para encarar o desmantelo.

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