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com Mano Ferreira

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Lula começa sua última dança

Com a menor taxa de desemprego da série histórica e mais um escândalo de corrupção no seu entorno, presidente terá derradeira disputa eleitoral marcada por duelo de rejeições

Mano Ferreira

Publicado: 18/08/2026 às 06:26

Lula durante ato de abertura de campanha neste domingo/Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

Lula durante ato de abertura de campanha neste domingo (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Começou pra valer. O país dividido se depara com verdades contrastantes. À primeira vista, parecem inconciliáveis. Mas convivem igualmente na complexidade do mundo real, tão estranho às simplificações das certezas polarizadas.

Lula era só mais um Silva e virou presidente. A maior encarnação possível, na história brasileira, de um retirante nordestino que saiu de baixo, ralou com resiliência, enfrentou todas as adversidades. E venceu.

Vencedor de 3 eleições presidenciais de forma direta, e mais 2 como principal cabo eleitoral de uma desconhecida que foi escolhida, a dedo, por ele. Lula é o maior líder existente do sistema político brasileiro.

Antissistema e líder do sistema. Ao mesmo tempo. São duas verdades. A ênfase depende de quem olha. E isso revela muito.

Mais uma vez, agora a última, essa será uma eleição sobre Lula. Basta olhar os números da pesquisa Nexus, divulgada ontem. Seja quem for o adversário, o patamar de Lula é praticamente intocável: entre 45% a 47%, sempre dentro da margem de erro; os adversários tradicionais (Flávio, Caiado e Zema, que já ocuparam cargos eletivos) variam entre 41% a 44%, oscilações na mesma ordem de grandeza.

O único que destoa é o estreante Renan Santos, o mais radical, mais desconhecido e proporcionalmente mais rejeitado.

Em caso de segundo turno, Caiado e Zema mostram algum potencial de crescimento sobre o eleitorado indeciso. Afinal, não há quem não conheça Lula. No geral, o indeciso deseja alguém que não pareça pior. Para esse público, não parece ser o caso de Flávio Bolsonaro, campeão de rejeição. Mas para esse jogo de segundo turno fazer sentido, antes, existe o primeiro.

É claro que campanhas existem para que os candidatos busquem mover as convicções do eleitor. É possível que isso ocorra. Mas grandes mudanças parecem pouco provável. Mesmo com um noticiário explosivo em escândalos de corrupção.

De um lado, as revelações da Polícia Federal trazem fatos novos sobre a relação entre Lulinha, o filho do presidente; Marcola, o ex-chefe de gabinete da Presidência, bastante próximo a Lula; e a lobista Roberta Luchsinger, sócia do famoso careca do INSS, líder operacional do esquema que saqueou nossos idosos desviando dinheiro através de sindicatos.

Do outro, todos aguardam novos desdobramentos envolvendo a relação explosiva de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, o mafioso do Banco Master, que contratava matadores de aluguel, milicianos do Rio de Janeiro e consultorias especiais de ex-ministros influentes e esposas supremas.

Mas no fundo, todos esses desgastes potenciais não soam tão novos. Na configuração atual da polarização nacional, não é o eleitor que muda de ideia conforme a notícia surge; é a notícia que muda de sentido conforme a preferência do eleitor.

Ódios e paixões mobilizadas por décadas em torno de um grande personagem. Na última dança de Lula, será que existe algo capaz de mover os torcedores organizados da nossa política?

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