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Romance de Nelson Job usa a ficção especulativa para investigar a ascensão do autoritarismo político

Livro 'Espirais' faz parte do Druamverso, mundo que mistura elementos da narrativa clássica com viagens cósmicas complexas

Por André Guerra

Autor vem ao Recife durante a programação da Fliporto, entre 12 e 15 de novembro

Apesar de não tão popularizado entre muitos leitores, o termo “ficção especulativa” é o grande guarda-chuva dentro do qual a ficção científica se enquadra. É nesse tipo de enredo que as perguntas hipotéticas sobre o futuro da humanidade são desenvolvidas a partir de propostas existenciais, filosóficas e fantásticas. Mas qual o lugar do gênero na literatura brasileira hoje? Para alguns autores, como o carioca Nelson Job, pode ser maior do que nunca.

O escritor é um dos nomes que ganharam destaque na ficção especulativa nos últimos anos e acaba de lançar o livro “Espirais”. A publicação (da Mondru Editora) é parte de um universo complexo criado por ele em 2010 e desdobrado entre contos, poesias e romances. Com vinda marcada para a Fliporto, que acontece entre 12 e 15 de novembro, ocupando vários lugares do Recife, o escritor promete discutir o material com o público pernambucano.

Disponível nas plataformas digitais, o trabalho leva o leitor às origens do chamado Druamverso, no qual uma sociedade ancestral vive em uma ilha e vê seu equilíbrio colocado à prova por transformações cósmicas. É nesse contexto que um grupo de personagens liderados por um tirano começam a perseguir os seres intersexo da região, provocando uma crescente incontrolável de destruição.

Com uma sacerdotisa guiando os rumos da história em uma jornada cheia de ideias abstratas, “Espirais” é complementar aos já publicados “Druam” (2021) e “Pulsares” (2025). Em conversa com o Diario, Nelson Job afirma perceber o crescimento do gênero no mercado brasileiro. “Dados mostram que a ficção científica especulativa está passando por um boom editorial no Brasil, o que deu para notar, por exemplo, durante a 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. Temos toda uma geração buscando esse tipo de literatura hoje, então demanda não falta”, explica.

O autor destaca as correlações de “Espirais” e de sua obra de modo geral com seus estudos diante da política atual. “Eu me aprofundei no universo das guerras híbridas, que estão bastante em voga ultimamente com as eleições. A manipulação pelos afetos é ainda pouco estudada e acho que a ficção especulativa pode discutir isso mais do que nunca, sobretudo se os autores passarem a trabalhar os tropos do gênero a partir da realidade brasileira”, acrescenta Job.