Instrumentistas mulheres dão toque feminino em homenagem do SaGrama a Dimas Sedícias no Recife
Grupo presta tributo ao maestro e compositor mais presente em sua trajetória. Apresentação especial terá a participação de quatro instrumentistas mulheres pernambucanas
A história de mais de três décadas do grupo musical pernambucano SaGrama é indivisível do saudoso percussionista e maestro Dimas Sedícias. Natural de Bom Jardim, Agreste pernambucano, o compositor, arranjador e instrumentista parceiro da banda faleceu em 2001, mas seu trabalho seguiu sendo difundido pelos integrantes — e ganhará, nesta terça (25), uma homenagem em forma de concerto no Teatro de Santa Isabel, marcada para às 20h. À venda pelo Guichê Web, os ingressos custam R$ 80 e R$ 40.
Sedícias nunca fez oficialmente parte do SaGrama, mas esteve presente nos bastidores, compondo faixas originais que nunca mais deixaram o repertório. Seu estilo teatral, cheio de sonoplastias, onomatopeias e experimentações ousadas, foram incorporadas pelo trabalho do grupo, que o reverencia até hoje. “Papagaio de Papel” e “Aspectos de uma Feira” estão entre as peças mais famosas que ele deixou de legado.
Ingrid Guerra, flautista, destaca ao Diario como a influência do artista faz parte da sua vida desde a época de estudante, no Conservatório Pernambucano de Música. “Lembro que ele sempre foi muito aclamado por escrever obras incrivelmente populares, mas também bastante eruditas. Tinha uma intimidade enorme com as duas vertentes e conseguia transformar até o que parecia uma peça simples em uma orquestra sinfônica”, destaca.
“Desde que entrei no SaGrama, em 2021, tive a oportunidade de participar de diversas celebrações do grupo, como o ano de comemoração dos 30 anos. Mas esse trabalho, especialmente, está muito bonito. É emocionante poder honrá-lo no palco”, acrescenta a musicista.
Nesta celebração, um time de mulheres instrumentistas se juntará aos dez integrantes do SaGrama. São elas a trombonista Neris Rodrigues, a violeira Laís de Assis, a violista Laila Campelo e a sanfoneira Karol Maciel. Na ocasião, elas vão tocar ainda composições próprias.
Além da homenagem ao maestro Sedícias, o SaGrama vai revisitar clássicos de sua discografia no repertório da noite, como “Brilhareto” e “Cuscuz”, além da novidade “Samambaia”, de Cláudio Moura, maxixe pensado originalmente para uma banda de música e violão e depois adaptado para banda com solo de trombone.