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Festival de Gramado consagra 'Nosso Segredo' com o prêmio máximo de Melhor Longa Brasileiro

Na cerimônia de encerramento do 54º Festival de Cinema de Gramado, 'Nosso Segredo' levou três Kikitos; 'Feito Pipa' foi o mais premiado da noite; José Loreto, de 'Chorão: Só os Loucos Sabem', divide prêmio de Melhor Ator com Christian Malheiros de 'Justino: Nos Bastidores do Reino'

Por André Guerra

Narrativas com protagonismo negro foram destaque entre os premiados do evento na Serra Gaúcha

A cerimônia de encerramento de longas do 54º Festival de Cinema de Gramado, que ocorreu no Palácio dos Festivais, na Serra Gaúcha, no último sábado (22), consolidou uma representatividade que já podia ser observada ao longo da semana de exibições competitivas. Dentre os seis trabalhos apresentados na disputa principal ao longo da semana, o destaque na repercussão das narrativas negras foi notável, tanto na potência de seus atores quanto nas abordagens.

O júri oficial da Mostra Competitiva de Longas Brasileiros, composto por Cris Vianna, Fábio Meira, Helena Ranaldi, Kênia Freitas e Marcelo Serrado, não deixou isso passar em branco e consagrou a atriz e cineasta Grace Passô com o Kikito de Melhor Longa-Metragem Brasileiro por “Nosso Segredo”. O filme, que já entra em cartaz nesta quinta (27), levou ainda as estatuetas de Fotografia e Direção de Arte.

Quem saiu da cerimônia mais cheio de prêmios, porém, foi o delicado “Feito Pipa”, que conquistou os troféus de Melhor Direção (para Allan Deberton), de Atriz (Teca Pereira), de Ator Coadjuvante (para Lázaro Ramos) e de Melhor Filme do Júri Popular, além de uma menção honrosa para o pequeno Yuri Gomes, que interpreta o protagonista Gugu. Todos os cinco discursos foram marcados por emoções intensas, refletindo a atmosfera emocional e terna do próprio longa.

A elogiada cinebiografia “Justino: Nos Bastidores do Reino”, de José Eduardo Belmonte, também não ficou de fora e arrematou os Kikitos de Melhor Montagem e Melhor Ator, troféu que o ator Christian Malheiros levou em um empate com José Loreto, premiado por “Chorão: Só os Loucos Sabem”, drama sobre a história do líder da banda Charlie Brown Jr., que saiu vitorioso ainda na categoria de Melhor Trilha Sonora. A atriz Onna Silva, destaque do ato final do longa sobre Mário Justino, foi lembrada com uma menção honrosa do júri.

O olhar autoral e inusitado de Carlos Segundo, célebre curta-metragista que fez agora sua grande estreia em longa, foi bem reconhecido com a comédia dramática “Leite em Pó”, protagonizada por Vinícius de Oliveira, que viveu o pequeno Josué em “Central do Brasil”. O filme recebeu os Kikitos de Melhor Roteiro, Desenho de Som e Melhor Filme do Júri da Crítica, concedido pela Abraccine. Já o drama “Pele de Rinoceronte”, ficcionalização do caso de Ângela Diniz a partir do olhar de uma repórter e de uma advogada, foi representado por Naruna Costa na categoria de Melhor Atriz Coadjuvante.

Entre os documentários de longa-metragem, Pernambuco foi destaque com a menção honrosa concedida pelo júri a "Empeleitada", que narra a luta dos povos indígenas Xukuru pela retomada de suas terras. Dirigido por Mikaele Xukuru, Chico Ludemir e Sérgio Borges, o longa foi um dos mais elogiados do festival e, dessa forma, reconhecido pelo festival pela sua importância temática e sensibilidade na abordagem. 

O grande consagrado, no entanto, foi "Gonzaguinha: Da Maior Liberdade", dirigido por Susanna Lira, que levou o Kikito de Melhor Longa de Documentário. O projeto utiliza imagens de arquivo, fotografias e entrevistas para criar um mosaico da vida e obra do artista-título, sobretudo na sua relação com as questões políticas da sociedade brasileira.

*O repórter viajou a convite do Festival de Gramado