Entre risos e crises existenciais, Mateus Solano traz peça sobre busca por protagonismo ao Recife
Sede universal de protagonismo é tema de 'O Figurante', monólogo de Mateus Solano que chega ao Recife com três apresentações no Teatro Luiz Mendonça, nesta
Estreando em monólogo com uma comédia dramática que vai do humor cortante a questões existenciais que perpassam a vida de todos nós, Mateus Solano chega ao Recife nesta semana para apresentar três sessões do espetáculo “O Figurante”, dirigido por Miguel Thiré.
As apresentações acontecerão no Teatro Luiz Mendonça, no Parque Dona Lindu, de amanhã até domingo (2), sempre às 20h, com exceção do último dia, que será às 17h. Os ingressos já estão à venda no site do teatro e custam 80 reais (meia-entrada) e R$ 160 (inteira).
“Eu queria muito falar sobre figurantes com gana de protagonismo e, há mais de 2 anos, levamos pela primeira vez ao palco de modo ainda muito inicial. Explorei algumas ideias que nem entendia bem quais eram, mas senti que eram importantes e, de fato, elas ganharam um alcance enorme, que eu não previa”, explica Solano em entrevista ao Diario, ao revelar que o texto nasceu a partir da transcrição de alguns de seus improvisos. Refletindo sobre a rotina de Augusto, um homem que luta para se encontrar em meio à falta de significados, o material foi lapidado pela atriz Isabel Teixeira - que atualmente vive a personagem Pilar, na novela “Quem Ama Cuida” - em parceria com o já citado Thiré.
Depois de rodar por 50 cidades do Brasil e do exterior, alcançando mais de 200 mil pessoas, “O Figurante” demonstrou crescer com o passar do tempo através da universalidade do seu texto. Com ele, Mateus Solano retorna a parceria com Miguel Thiré após a peça “Selfie”, que conquistou o público brasileiro entre 2014 e 2018, e segue refletindo sobre assuntos humanos potencializados pela comédia, mas nunca diminuídos por ela. Aqui, particularmente, a dificuldade de conexão com a essência da própria narrativa de cada um se torna a principal ferida exposta.
“Somos um animal criador de histórias, que acredita nas coisas. Na ânsia em fazer parte desse mundo, acabamos por nos afastar de nós mesmos a ponto de não saber se somos protagonistas ou figurantes de nossa própria história”, comenta o ator.
O método Escrita em Cena, desenvolvido por Isabel Teixeira, foi a base da construção de O Figurante. A ideia foi estimular o artista a explorar sua criatividade nos improvisos para que as gravações, reelaboradas, pudessem dar vazão a algo maior. De acordo com a dramaturga, a proposta é mergulhar no trabalho árduo de composição a partir da construção feita em cena mesmo. “O espetáculo coloca no centro o que normalmente é deixado de lado, ampliando o olhar para o que muitas vezes passa despercebido”, explica Isabel.
Mateus Solano destaca ainda a satisfação em retornar aos palcos recifenses onze anos após “Selfie”. Para ele, estar na cidade é sempre uma oportunidade de se reconectar com a pluralidade artística do país. “É um privilégio voltar a uma cidade que pulsa cultura e entusiasmo pela arte. Tenho certeza de que o público vai responder a essa peça tão especial para mim, durante esses três dias, com a mesma conexão intensa que o Brasil inteiro vem demonstrando”, acrescenta o ator.