Cumprindo promessa feita a Dominguinhos, André Rio lança disco que exalta o forró raiz
André Rio celebra influência dos grandes mestres do forró pé de serra e seu afeto pela cultura nordestina no álbum ‘Onde o Sol Aprende a Brilhar’
Nascido de uma promessa especial para um ídolo, o disco Onde o Sol Aprende a Brilhar, de André Rio, já está disponível nas plataformas digitais, funcionando como um grande experimento com a memória. Aventurando-se novamente por sonoridades que marcaram a sua formação musical, o cantor mergulha no forró autoral, reforça o impacto das influências que recebeu desde a infância e que carregou consigo através de seus principais projetos.
Além de nove composições do artista, o disco traz duas faixas assinadas pelo seu irmão, Alirio Moraes. Simbolizando um grande gesto de retorno afetivo, ele também dialoga com as lembranças que André guarda de sua avó paterna, a multi-instrumentista Dona Linda, que o apresentou ao universo de mestres como Luiz Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino e Jackson do Pandeiro. Ela tocava para ele os repertórios inteiros desses pioneiros da música de sua terra — e as melodias ecoam até hoje na sua memória.
Em entrevista ao Diario, no entanto, o cantor enfatiza que, para este álbum, a força motriz veio de uma das tantas conversas com Dominguinhos. “Ele vinha muito à minha residência e conversávamos sobre música. Nós falávamos sobre como as gravações originais do forró nordestino tinham uma verdade ímpar, com os seus elementos básicos: a zabumba, o acordeon e o triângulo”, conta André Rio. “Prometi a ele que faria um disco exatamente nesse mesmo formato. Lamento que ele tenha partido antes, mas a promessa foi cumprida. Entrei em forte conexão com o divino este ano e a inspiração me rendeu essas nove composições, que gravei exatamente como ele queria, gostava e valorizava tanto”, enaltece.
Além da faixa que dá título ao álbum, “Onde o Sol Aprende a Brilhar” traz ainda letras evocativas que buscam recuperar a verdade cultural que ele menciona. Canções como “Pé de Serra”, “Dançando Agarradinho”, “Festa na Quadrilha” e “Meu Xodó, Neném” resgatam sensações que o próprio André Rio nunca abandonou em seus passeios vastos pela MPB ao longo de seus mais de 30 discos.
“Falar do cheiro do São João, do milho, da quadrilha, do amor e das nossas festas é a alma desse trabalho. O pernambucano tem a mania de aumentar tudo e não poderia deixar de sê-lo também na poesia. E esse período junino é um grande momento de celebração do nosso sabor próprio. Na ótica do poeta superlativo, o sol aprende a brilhar no calor da fogueira do povo nordestino”, festeja o artista. “É um disco sobre pertencimento. Sobre herança, tempo e permanência”, conclui.