Parceria inédita com João Gomes inspirou novo EP do rapper Mago de Tarso, que une trap e forró
Com participação de João Gomes e Luiz Lins, novo EP de Mago de Tarso conecta trap, piseiro e forró em seu primeiro projeto voltado ao São João
O que o hip-hop de Lil Wayne e o xote de Luiz Gonzaga têm em comum? Essa combinação, à primeira vista improvável, faz pleno sentido quando se trata de Mago de Tarso, sobretudo em “As Que Eu Dancei, Vol. 1”, seu mais novo EP já disponível nas plataformas digitais.
Estreante no circuito de São João, o trapper pernambucano reafirma sua capacidade de conectar estilos urbanos ao cancioneiro nordestino. O trabalho desconstrói os limites do forró e do piseiro, resultando em um repertório que os conecta a elementos do trap e do brega funk.
Referência na revitalização sonora do manguebeat, Mago de Tarso dá sequência à sua assinatura criativa que é pautada pela inquietação. Embora a aproximação entre o trap e o forró já estivesse presente em trabalhos anteriores, desta vez o artista amplia o protagonismo das sonoridades regionais, sem abrir mão do flow que dita a sua identidade. “Meu jeito de escrever sempre vai ser o de um rapper. Não tenho como compor de outra forma, porque foi assim que aprendi a fazer música”, explica ele em conversa com o Diario.
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O processo criativo do projeto começou a ganhar forma em 2025, durante um encontro despretensioso na casa de João Gomes, que também contou com a presença do cantor Luiz Lins. Na ocasião, a faixa “Sinto Sua Falta” foi desenhada de forma orgânica pelo trio de conterrâneos, mas acabou engavetada temporariamente.
O gatilho para resgatá-la só surgiu recentemente, em março, quando João Gomes lançou o projeto “Trapzeiro”. A bem-sucedida mistura de piseiro e trap, que também ganha tração nas vozes de nomes como Arturzinho, Dupê, Kadu Martins e Felipe Amorim, foi o empurrão que faltava para Mago de Tarso mergulhar nessa nova vertente. “Aquilo acendeu uma luz na minha cabeça”, conta.
Como um dos principais nomes da modernização da música nordestina, o trapper defende que o surgimento de novas sonoridades não deve servir de pretexto para excluir os pioneiros do forró. “Tenho visto artistas consagrados serem escalados para horários ruins e se apresentarem praticamente sem público.
Enquanto isso, os melhores espaços ficam concentrados nos nomes mais populares. É preciso encontrar um equilíbrio e abrir espaço para uma nova geração que está pronta e pede passagem”, comenta.
Se tem algo que nenhuma inovação muda no São João é a temática do amor — ou a falta dele. O título “As Que Eu Dancei, Vol. 1” explora o duplo sentido entre a dança propriamente dita e o jargão popular usado para quem se deu mal, por exemplo, em uma relação amorosa, costurando o conceito que conecta todas as cinco faixas. “Falo de meninas com quem eu dancei e também quebrei a cara, embora cada história tenha sido boa à sua maneira”, diz o artista.
Na capa, é feita uma referência ao rapper Lil Wayne, ídolo de infância de Mago, que costumava aparecer em fotos de infância nos álbuns. Aqui, a homenagem tem sotaque pernambucano, mostrando o pequeno Mago dançando com uma garota em uma festa junina.
O "Vol. 1" estampado no título já é um spoiler para o que vem no próximo São João. Embora tenha tentado trazer a rainha Elba Ramalho para o repertório deste ano, o que não ocorreu por conflitos de agenda, o trapper pernambucano planeja amadurecer esses diálogos nas próximas edições, visando consolidar a estética “trapzeira” em sua carreira. “Isso vai acontecer com o aumento das parcerias, reunindo mais artistas do piseiro e do trap e fortalecendo essa nova cena que está tomando forma”, diz.