° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Cláudia Abreu é homenageada no Cine PE pelos 30 anos de trajetória no cinema: "Honra gigantesca"

Atriz carioca Cláudia Abreu receberá Calunga Dourada, troféu de homenagem do 30º Cine PE, e conversa com o Diario sobre sincronia entre a sua trajetória no cinema e a longevidade do festival

Por André Guerra

"As experiências mais marcantes que tive fazendo cinema foram com filmes nordestinos", diz ao Diario a atriz, homenageada pelo Cine/PE

Em um ano simbólico para o Cine/PE, o nome de Cláudia Abreu é também uma escolha poderosa para a homenagem. A atriz carioca, consagrada na televisão, no teatro e no cinema, tem uma trajetória artística de crescimento que coincide com a consolidação do principal festival audiovisual de Pernambuco, que encerra sua 30ª edição neste fim de semana, após uma semana de fortes emoções. Hoje à noite, no Teatro do Parque, ela terá sua trajetória celebrada com a Calunga Dourada.

Nos últimos anos, Recife tem se tornado ponto de parada quase obrigatório para Cláudia. Em 2024 e 2025, ela apresentou na capital o seu monólogo “Virginia”, sobre os momentos anteriores ao suicídio da escritora britânica lendária Virginia Woolf.

“É uma honra gigantesca poder fazer parte de uma homenagem que vem em uma fase tão especial do cinema pernambucano. Minhas duas vindas mais recentes com a peça foram muito especiais, então sinto como se essa terceira vinda fosse uma grande celebração do meu contato com essa terra que admiro tanto”, destaca a atriz em entrevista ao Diario. “Tudo ficou ainda mais especial quando me dei conta de que minha história no cinema e a do Cine/PE têm praticamente a mesma idade”, observa.

Cláudia fez sua estreia no cinema com o filme “Tieta do Agreste” (1996), dirigido pelo saudoso Cacá Diegues. A ambientação no sertão a aproximou da região Nordeste e marcou boa parte de sua carreira no cinema. “Eu amo fazer filmes em locação porque você consegue viajar e conhecer o clima de perto, e por bastante tempo. Não tenho dúvidas de que as experiências mais marcantes que tive no cinema foram com filmes nordestinos”, enaltece.

A retrospectiva de Cláudia confirma seu carinho pela região, já que em “Guerra de Canudos” (1997), de Sérgio Rezende, ela marcou o período da Retomada. Em “O Caminho das Nuvens” (2003), de Vicente Amorim, contracenou com Wagner Moura, com quem embarcou, na ficção, em uma jornada do sertão da Paraíba até o Rio de Janeiro. E, na verdade, a carreira de Cláudia já era internacionalmente célebre desde “O Que É Isso, Companheiro?” (1997), de Bruno Barreto, indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional.

No bate-papo, Cláudia Abreu enfatiza ainda que seu sonho sempre foi ser uma artista completa. “Nunca quis me prender a um único formato. Era um objetivo muito claro para mim, desde o começo, fazer cinema, televisão, teatro, o que pudesse”, conta.

Ela revela ainda que está prestes a finalizar seu primeiro longa como diretora, um documentário rodado com financiamento totalmente próprio. “Estamos buscando captação para a pós-produção, que é muito cara. E, por isso, essa homenagem para mim é ainda mais significativa. Ela vem em um momento de grande desafio artístico na minha carreira”, reforça a atriz e, agora também cineasta, projetando mais 30 anos de triunfo para o evento.