Edição histórica do Diario com reeleição de Lula na capa tem fila de espera para compra
Jornal promoveu venda especial do exemplar impresso nº 251 de 2026, nesta terça (27)
O dia 26 de outubro tinha tudo para ser mais uma segunda-feira comum, não fosse pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a caminho do seu quarto mandato. Com o resultado das urnas na noite anterior, a equipe do Diario de Pernambuco planejava como produzir a capa do jornal para registrar aquele momento histórico, com a virada dos votos para o chefe do Executivo nas Eleições Gerais de 2026.
A edição impressa histórica rodou o país, atraindo o interesse de leitores de diversos estados para além de Pernambuco e do Nordeste. Centenas de pessoas comentaram, nas redes sociais e nos canais de atendimento do jornal, pedindo para adquirir a edição. O número de pedidos foi tanto que, nesta terça-feira (27), o Diario promoveu uma venda especial do exemplar na sede do veículo e pelo canal do WhatsApp. Contudo, o estoque disponibilizado se esgotou em menos de duas horas.
Diversos leitores compareceram à sede do jornal para adquirir o impresso e guardá-lo como item de acervo e registro histórico. Foi o caso do corretor de imóveis Thiago Cajueiro, de 36 anos: "É um momento histórico. Trata-se de um presidente que já erradicou a fome no país. Então, isso é um marco nacional. A gente realmente tem que deixar registrado, ter em mãos para mostrar para os nossos filhos e netos", comentou Thiago, que não costuma comprar jornais impressos na rotina diária. "Eu lia o impresso geralmente quando era criança e adolescente, mas hoje acompanho mais o formato digital".
Arthur Alves, de 18 anos, é outro leitor que ressalta a relevância do jornal físico. O jovem afirmou que o momento é marcante por se tratar da primeira vez em que um candidato conseguiu uma virada no segundo turno das eleições presidenciais: "Eu não costumo comprar, mas fiz questão de vir porque o registro físico é muito importante. Acho que materializa muito bem todo esse movimento que ocorreu".
A estudante de Publicidade e Propaganda Maria Eduarda, de 22 anos, avalia que a venda excepcional promovida pelo Diario é uma oportunidade de valorizar a imprensa local em um momento decisivo: "Viemos de uma mobilização histórica em que a comunicação desempenhou um papel central. Acho muito importante fortalecermos esses veículos que foram fundamentais além da mobilização popular. Conseguimos ver o poder da imprensa. É possível, por meio da comunicação, seja por jornais digitais ou físicos, dar voz ao poder popular", declarou.
Edição histórica do Diario foi produzida a muitas mãos
A editora da edição impressa do Diario, Pupi Rosenthal, comenta que o objetivo era criar uma primeira página marcante, independentemente do resultado nas urnas: "A ideia era ter uma capa que representasse a dimensão do momento, fosse quem fosse o vencedor. Queríamos trazer esse impacto para o leitor".
"No domingo, já tinha em mente uma capa mais limpa, com uma foto de grande impacto estampada e sem acúmulo de informações. Passei a orientação para a nossa editora de fotografia e ela começou a selecionar as imagens. Tínhamos pensado muito na foto de Lula com a Constituição, pois avalio que virou uma marca da campanha dele no segundo turno", explica Pupi. Segundo ela, a premissa era clara: "Tinha que ser uma foto plasticamente bonita e que transmitisse a mensagem com clareza para o leitor".
A escolha final do registro ocorreu em conjunto com outros integrantes da liderança da redação, como a editora de fotojornalismo Sandy James, a editora-chefe da redação Lorena Ferrário e o diretor-executivo de jornalismo Roberto Gazzi. Juntos, discutindo cada detalhe, escolhendo cada palavra da manchete e avaliando foto por foto, o resultado final foi sendo construído.
Sandy James explica que, em parceria com a equipe, buscou construir uma capa com tom de liberdade. "Tive inspiração em outras capas. Queria mostrar o azul, que dá uma ideia de liberdade. Quis também retratar o respeito à Constituição e à Democracia", afirma a editora de fotojornalismo.
O diretor-executivo do Diario, Roberto Gazzi, destaca que a capa foi fruto de um trabalho coletivo: "Envolveu editores e coordenadores do impresso, da fotografia e da diagramação. Minha ideia era fazer uma capa informativa, mas com apelo gráfico, que primasse pela beleza", comenta, ao observar que o azul na fotografia selecionada harmonizava com o tom da marca do Diario. "Fiz milhares de capas nos jornais pelos quais passei. Esta foi uma das que mais me orgulhou."
A editora-chefe da redação do Diario, Lorena Ferrário, ressalta também que o trabalho de criação da capa dialogava com uma longa cobertura de toda a equipe de editores, repórteres, fotógrafos e diagramadores. “Esse trabalho representa o desfecho de uma cobertura eleitoral incrível, que se consolidou em uma capa que simboliza o empenho e o compromisso de toda a equipe da redação do Diario, entregando aos nossos leitores um jornalismo de qualidade”, finaliza.