"Ele tirou um pedaço de mim": um ano após menina ser achada em cacimba, mãe relembra dor e cobra justiça
Diario de Pernambuco entrevistou a mãe de Esther Isabelly, de 4 anos, um ano depois da menina ser morta e encontrada em uma cacimba em São Lourenço da Mata, no Grande Recife
“Ele tirou um pedaço de mim”. É assim que a mãe da menina Esther Isabelly, de 4 anos, descreve a dor pela morte da filha, encontrada em uma cacimba em outubro de 2025. Um ano após o crime, a dona de casa Fernanda Pereira Ramos, de 35 anos, conversou com o Diario de Pernambuco sobre a perda que mudou sua vida e a expectativa por Justiça.
Hoje, morando em uma casa a cerca de 650 metros de onde tudo aconteceu, Fernanda conta que tenta se distanciar do local em que Esther foi morta. Mesmo em outro endereço, as lembranças continuam presentes nos cômodos da residência, nas fotografias espalhadas da menina ao lado dos quatro irmãos.
Fernanda diz que perdeu a vontade de sair e que, atualmente, costuma deixar a casa apenas para levar os filhos à escola e acompanhá-los a consultas médicas e psicológicas. “Todo dia dói”, afirma.
Após a morte de Esther, ela relata dificuldades para retomar hábitos simples, como sair com os filhos e visitar a própria mãe. Fernanda também passou a evitar passeios de que a menina gostava, como ir à praia. Apesar da dor, diz que tenta seguir em frente pelos outros filhos.
A ausência de Esther também se revela nos pequenos gestos, na falta que Fernanda sente dos carinhos da filha ao dormir e acordar. Hoje, esses momentos permanecem apenas na memória.
Lembranças
Fernanda conta que Esther, caçula dos cinco irmãos e única menina da família, ocupava um espaço único. Na mesa onde todos comiam, tinha a própria cadeira. Nos sonhos da mãe, tinha um futuro inteiro pela frente.
Esther morreu antes mesmo de entrar na escola. A mãe conta que guardava vídeos com ideias de como arrumar a menina quando chegasse esse momento e imaginava a filha crescendo.
“Ele me tirou o sonho de ver minha menina formada, de vê-la dizer: ‘Mãe, eu vou ser uma médica, advogada ou professora’”, desabafa.
A mãe também conta que Esther não chegou a brincar com todos os brinquedos que comprou para ela desde que soube que teria uma filha.
“Todo mês eu recebia o Bolsa Família e comprava um brinquedinho. Ela tem os brinquedos todos de uma casinha, mas nem chegou a brincar”, diz.
A busca por respostas
Um ano após o crime, a expectativa pela punição dos responsáveis permanece. Fernanda diz acreditar na condenação dos acusados e espera que isso aconteça o mais rápido possível. Reconhece, no entanto, que nem mesmo uma decisão judicial será capaz de encerrar o sofrimento.
“Quanto mais mexe, mais dói”, comenta. Ainda assim, quer acompanhar o caso até o fim.
O motivo do crime permanece sem resposta. Para a mãe, essa é uma das lacunas mais dolorosas da história.
“Até hoje eu boto minha cabeça no travesseiro toda noite. E pergunto: ‘Meu Deus, qual foi o motivo para ele fazer essa crueldade com a minha menina?’”.
Inconformada, a dona de casa tenta compreender o que poderia ter motivado o crime. “A gente não falava com ele, nem sequer dirigia um oi, um boa tarde, um bom dia”.
A mãe de Esther se refere a Fernando Santos de Brito, único réu que segue preso. Desde dezembro de 2025, Uilma Ferreira dos Santos, ex-companheira de Fernando, e Fabiano Rodrigues de Lima, ex-vizinho dele, respondem ao processo em liberdade. Segundo a acusação, os dois teriam tentado acobertar Fernando e enganar a perícia.
Questionada sobre o que diria a Fernando, a mãe de Esther reafirma o desejo de entender o motivo do crime. “Depois, só [queria] esganar ele. Não queria dizer mais nada”, relata.
Ao falar da decisão que colocou Uilma e Fabiano em liberdade, ela demonstra tristeza. “Era para eles estarem presos. Todos três, não era só um”, afirma.
Segurando uma fotografia da filha, com os olhos cheios de lágrimas e a voz trêmula, Fernanda diz que ainda espera por Justiça.