Brasil deve ter 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano até 2028
Durante a campanha Outubro Rosa, especialistas explicam importância da prevenção e como cultivar hábitos saudáveis para evitar os riscos
O Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028, de acordo com a estimativa mais recente divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA). Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença é a mais incidente entre as mulheres no país e representa 30% dos novos casos de câncer previstos para a população feminina.
Os números se destacam na campanha Outubro Rosa, ligada à conscientização e à prevenção do câncer de mama no mês de outubro. A campanha abre espaço para discutir hábitos que ajudam a reduzir riscos, além do diagnóstico precoce e do rastreamento.
Segundo o INCA, aproximadamente 17% dos casos de câncer de mama podem ser evitados com a adoção de hábitos saudáveis. Entre eles, a alimentação é vista como uma das principais aliadas no combate ao câncer.
O médico gastroenterologista e professor do Instituto de Educação Médica (Idomed), Dr. Vinícius Magalhães, comenta que a alimentação saudável ajuda a controlar o peso corporal, pois a obesidade está associada a fatores de risco. "Quando consumimos alimentos ricos em vitaminas, minerais, fibras e proteínas de boa qualidade, fornecemos nutrientes importantes para a manutenção das células, o funcionamento do sistema imunológico e o equilíbrio do metabolismo. Uma alimentação adequada também ajuda a controlar o peso corporal, o que é importante porque a obesidade está associada ao aumento do risco de vários tipos de câncer, incluindo o de mama após a menopausa", reforça.
"Uma dieta baseada no consumo frequente de ultraprocessados, bebidas açucaradas e alimentos muito calóricos pode favorecer o ganho de peso e alterações metabólicas, como a resistência à insulina e processos inflamatórios crônicos. Essas condições podem contribuir para o desenvolvimento de alguns tipos de câncer", alerta Magalhães. "Isso não significa que um alimento isolado provoque a doença, mas que os hábitos alimentares mantidos durante anos podem aumentar ou reduzir determinados riscos", ressalta.
Por fim, o doutor fala que, mesmo para quem já recebeu o diagnóstico, a alimentação ainda precisa de bastante atenção. "Durante o tratamento, o organismo pode precisar de mais proteínas e calorias para preservar a massa muscular, enfrentar os efeitos colaterais e favorecer a recuperação. É importante entender que nenhum alimento combate o câncer sozinho ou substitui os tratamentos médicos. A nutrição funciona como parte do cuidado com o paciente e deve ser adaptada às necessidades de cada pessoa, com acompanhamento profissional", conclui.
Uma das maiores dificuldades, de acordo com os especialistas, é manter uma dieta equilibrada com alimentos saudáveis, fugindo dos convencionais ultraprocessados. Para Theda Suter, professora do curso de Nutrição da Wyden, não é preciso preparar refeições elaboradas para comer bem. "A falta de tempo é uma dificuldade para muita gente, mas não é preciso preparar refeições elaboradas para comer bem. Ter frutas em casa, levar um lanche para o trabalho ou optar por uma refeição simples, com arroz, feijão, legumes e alguma fonte de proteína, já ajuda bastante. O importante é não depender sempre de produtos industrializados pela praticidade", ressaltou.
Ela completa informando que o risco para o câncer de mama está relacionando a vários fatores, com a alimentação sendo apenas um deles. "Quando falamos em prevenção do câncer de mama, alguns cuidados merecem atenção, principalmente evitar o consumo de bebidas alcoólicas, reduzir os ultraprocessados e manter um peso saudável. Refrigerantes, embutidos, salgadinhos e refeições prontas não devem fazer parte da alimentação habitual. Isso não significa que comer um desses produtos ocasionalmente vá provocar a doença. O risco está relacionado a vários fatores, e a alimentação é um deles. Por isso, vale mais a pena melhorar aquilo que se come todos os dias do que seguir uma dieta restritiva por algumas semanas", conclui.