Registros de dengue e chikungunya aumentam em Pernambuco em 2026, segundo Secretaria de Saúde
Estado contabiliza 45 mil notificações de dengue até agosto, alta de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025; chikungunya também cresce em 20,8%
Pernambuco registrou aumento nas notificações de dengue e chikungunya em 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. Dados do Informe Epidemiológico de Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), referentes à Semana Epidemiológica, apontam 45.017 notificações de dengue entre 4 de janeiro e 29 de agosto. O número representa uma alta de 38,8% em relação ao mesmo período de 2025.
Do total registrado neste ano, 22.281 são considerados casos prováveis de dengue, que reúnem os casos confirmados e aqueles ainda em investigação. Outros 22.736 foram descartados. Até o período analisado, 10.848 casos haviam sido confirmados e 649 apresentavam sinais de alarme ou gravidade.
A incidência da doença chegou a 233 casos prováveis por 100 mil habitantes. Pernambuco tinha 41 municípios classificados com alta incidência, 56 com incidência média e 81 com baixa incidência. Outros sete municípios não apresentaram registro de caso provável.
A chikungunya também teve crescimento nas notificações. Foram 6.292 registros em 2026, alta de 20,8% em comparação com o mesmo período de 2025.
O boletim aponta 2.187 casos prováveis e 346 confirmações.
A incidência estadual chegou a 22,9 casos prováveis por 100 mil habitantes. Entre os municípios analisados, 60 não apresentavam casos prováveis, enquanto 120 estavam classificados com baixa incidência. Três municípios tinham incidência média e dois apresentavam alta incidência.
Em relação ao vírus Zika, Pernambuco registrou 1.128 notificações em 2026, uma queda de 5,8% comparado ao registrado no mesmo período de 2025, de acordo com os dados da SES.
Do total deste ano, 104 foram classificados como casos prováveis e nenhum havia sido confirmado até o fechamento dos dados.
O boletim também registra 12 casos prováveis de Zika em gestantes.
Óbitos
Até a divulgação do último boletim epidemiológico, Pernambuco tinha três óbitos confirmados por arboviroses em 2026, segundo a SES-PE. Outros 22 óbitos permaneciam em investigação e 25 haviam sido descartados.
No mesmo período de 2025, cinco mortes haviam sido confirmadas, de acordo com o diretor-geral de Vigilância Ambiental da SES-PE, Eduardo Bezerra. Houve, portanto, uma redução de 40% nas mortes confirmadas.
Entre os municípios da Região Metropolitana do Recife, os maiores números de casos prováveis de dengue aparecem no Recife e em Jaboatão dos Guararapes.
O Recife contabilizou 3.048 casos prováveis em 2026. No mesmo período de 2025, eram 3.186, segundo a tabela municipal da SES-PE.
Jaboatão dos Guararapes passou de 1.692 casos prováveis em 2025 para 2.836 em 2026. Olinda e Paulista, por outro lado, apresentaram redução. Em Olinda, passando de 1.387 para 761 casos prováveis e, em Paulista, de 1.170 para 912 casos.
Controle
Segundo Eduardo Bezerra, o Estado mantém ações permanentes de monitoramento epidemiológico e da presença do mosquito, além de orientar os municípios para bloqueios e aplicação de larvicidas e distribuir insumos enviados pelo Ministério da Saúde.
Também estão entre as estratégias a instalação de capas de proteção para reservatórios em comunidades indígenas e quilombolas e a utilização da Técnica do Inseto Estéril (TIE) no território indígena Xukuru do Ororubá, em Cimbres, distrito de Pesqueira.
A SES-PE também informou que realiza ações de mobilização com escolas, equipes da Atenção Primária e profissionais de vigilância dos municípios. As medidas podem ser intensificadas conforme o cenário epidemiológico.
Para o segundo semestre de 2026, existe ainda uma preocupação extra sobre os impactos do El Niño, que interfere no volume de chuvas e no ciclo de vida dos mosquitos. Sobre essa questão, Eduardo Bezerra diz que "Pernambuco já conta com um plano para o enfrentamento dos possíveis impactos do El Niño, elaborado dentro dos parâmetros do Ministério da Saúde. Além disso, desde o ano passado, o Governo do Estado mantém um comitê de estiagem, reunindo diferentes secretarias para atuação integrada diante desses cenários".
Vacinação
Desde o início da estratégia de vacinação contra a dengue pelo SUS, em 2024, até 7 de setembro de 2026, Pernambuco aplicou 268.809 doses em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos.
Desse total, 184.046 foram primeiras doses e 84.763, segundas doses. No mesmo período, 394.950 doses foram distribuídas aos municípios, sendo 215.094 de primeira dose e 179.856 de segunda.
A estratégia prevê duas doses, com intervalo de três meses entre elas.