PM que atirou na cabeça de colega de farda em Água Preta é preso após se entregar
O policial militar Nykollas Matheus de Lima Santos se entregou nesta quarta (26), em Caruaru, 11 dias após a tentativa de homicídio contra o PM Matheus Canabarro, seu colega
O policial militar que atirou na cabeça de um colega de farda durante uma discussão no Centro de Água Preta, na Mata Sul de Pernambuco, foi preso preventivamente nesta quarta-feira (26), após se entregar no Núcleo de Polícia Judiciária Militar de Caruaru, no Agreste do estado.
A suposta tentativa de homicídio do policial Matheus Canabarro ocorreu há 11 dias. De acordo com o Boletim de Ocorrência, obtido pelo Diario de Pernambuco, o fato que resultou na prisão preventiva do policial, identificado como Nykollas Matheus de Lima Santos, aconteceu no dia 15 de agosto, durante uma ocorrência em que um paredão de som estaria atrapalhando uma festa de aniversário.
Segundo o depoimento do cabo Luiz Aurelliano Alves Souto, que presenciou o fato, ao chegarem no local da ocorrência, os agentes de polícia identificaram que o paredão de som pertencia ao policial militar Nykollas Santos e a outro policial, identificado como Lucas Alves da Silva, que estavam de folga.
Durante uma conversa com a corporação, os proprietários do paredão acataram a solicitação de desligar o som. Porém, quando os policiais de plantão se dirigiam para a viatura, percebeu-se uma discussão entre o PM Nykollas Santos e o PM Matheus Canabarro, que estava em serviço.
Ainda durante a discussão, Canabarro chegou a sacar sua pistola, mas recolheu ao coldre após ser reprimido pelo cabo Luiz Souto.
O cabo afirma que Canabarro questionou se ele estava “lhe desconsiderando” e foi novamente em direção a Nykollas Santos. Neste momento, vários disparos de armas de fogo foram efetuados por Santos e Canabarro, que foi atingido na cabeça.
Segundo testemunhas, Nykollas Santos teria efetuado aproximadamente 14 tiros contra o colega de farda. Na versão da defesa do suspeito, essa ação foi justificada como legítima defesa após Canabarro ter efetuado os primeiros disparos.
O militar atingido na cabeça foi colocado dentro da viatura e conduzido ao Hospital Municipal de Água Preta, onde recebeu os primeiros socorros e, posteriormente, foi encaminhado ao Hospital Regional dos Palmares. De lá, foi encaminhado em uma UTI Móvel para o Hospital da Restauração (HR), no Recife.
A reportagem do Diario de Pernambuco procurou o HR, que informou que o PM foi transferido para o Hospital Santa Terezinha. Não há informações atualizadas sobre o estado de saúde.
Com relação ao PM Nykollas Santos, ele fugiu do local do ocorrido na data do fato. Segundo a defesa do suspeito, a saída do local do crime decorreu por receio de represálias.
Entrega da arma
Junto com munições e equipamentos, a arma de Nykolas Santos foi entregue pelo advogado na armaria do 10.º Batalhão da Polícia Militar, conforme consta nos autos do processo.
Andamento do caso
Na decisão da Vara Da Justiça Militar Estadual, que decretou a prisão preventiva, o juiz Francisco de Assis Galindo de Oliveira indeferiu o pedido de busca e apreensão em três endereços indicados pelo suspeito, sob a justificativa de ausência de elementos que demonstrem a necessidade concreta da diligência.
Além disso, o juiz ainda não apreciou o pedido de habeas corpus solicitado pela defesa do suspeito. De acordo com o escritório de advocacia Albuquerque Sociedade Individual de Advocacia, que representa Nykollas, os fatos tramitam sob segredo de justiça e até o presente momento não foi permitido acesso aos autos do processo ou aos fundamentos jurídicos da decisão que decretou a custódia cautelar do militar.