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Homem é preso suspeito de estuprar, espancar e queimar mulheres com cigarro em Ipojuca

A prisão foi realizada na tarde desta segunda-feira (24), no distrito de Nossa Senhora do Ó; suspeito possui histórico de violência doméstica contra a ex-companheira

Por Cadu Silva

Acusado seguia as vítima de bicicleta

Um homem de 44 anos foi preso suspeito de estuprar, espancar e queimar mulheres com cigarro em Ipojuca, no Grande Recife. A prisão foi realizada na tarde desta segunda-feira (24), no distrito de Nossa Senhora do Ó, Ipojuca, durante uma investigação conduzida pela 15ª Delegacia de Polícia de Homicídios (15ª DPH). Segundo a Polícia Civil, duas mulheres já foram identificadas como vítimas de crimes atribuídos ao suspeito. A investigação não descarta a existência de outros casos.

Os detalhes da prisão foram repassados nesta terça-feira (25). Conforme a Polícia, a investigação começou em 18 de julho deste ano, quando uma mulher foi encontrada desacordada e despida dentro de um imóvel abandonado, na área de Nossa Senhora do Ó. Inicialmente, o caso foi registrado como tentativa de homicídio. Segundo a delegada Marina Delgado, titular da 15ª DPH, a vítima estava com medo e não quis fornecer informações sobre o que havia acontecido.

Com o avanço das diligências, os policiais descobriram que a mulher teria sido seguida pelo suspeito durante a madrugada. De acordo com Marina, o homem já fazia parte do convívio da vítima na localidade.

“Ela foi seguida por ele, emboscada, levada a um local desconhecido, ermo. Lá ela foi constrangida a manter relação sexual com ele, mediante grave violência. E mesmo após a consumação do ato sexual, o investigado permanece espancando a vítima e depois abandonando ela em outro local”, afirmou a delegada.

Segundo a investigação, o suspeito teria abandonado a mulher em outro ponto com a intenção de fazer com que outra pessoa fosse responsabilizada pelo crime.

 

Segunda vítima

Durante a apuração do caso, os investigadores identificaram uma segunda vítima, que teria sido atacada em janeiro de 2026. Segundo a delegada, o modo de atuação foi semelhante.

“Foi basicamente o mesmo modo operante. É uma pessoa do convívio. Ele, inclusive, havia oferecido bebida alcoólica para a vítima. E quando ela já se encontrava em um estado mais vulnerável, ele ofereceu carona para ela na sua bicicleta. Posteriormente, levou ela até um canavial e praticou os mesmos atos”, explicou Marina.

Ainda de acordo com a delegada, a vítima relatou uma série de agressões físicas durante o crime.

“Ele, durante as agressões, esganava, utilizava o cigarro para queimar, e vários socos no rosto, pelo corpo, diversas agressões”, disse.

Para a delegada, os dois episódios apresentam características semelhantes. “Ele é um indivíduo que não se contenta com a recusa sexual, com a recusa à investida sexual das mulheres. Considera-as como objeto e age assim para satisfazer seu mero prazer”, afirmou.

Histórico de violência doméstica

O homem também possui registros de violência doméstica contra a ex-companheira. Segundo a Polícia Civil, há ocorrências relacionadas a ameaças e agressões físicas ao longo de mais de dez anos. Ele já teria cumprido pena por crimes praticados contra a mulher.

“Ele tem um histórico de violência doméstica e familiar contra a ex. Ele tem diversos boletins de ocorrência registrados, já cumpriu pena por tais crimes e tem alguns outros boletins de ocorrência por crimes patrimoniais, tais como furto, mas a maioria por violência doméstica contra a ex”, afirmou Marina.

A delegada também destacou que o suspeito tinha convivência com as vítimas. Segundo ela, não se tratava de mulheres desconhecidas escolhidas aleatoriamente.

“Eram mulheres que ele já conhecia ali da localidade, já tinha visto em algum local, já tinha tido alguma conversa. A gente tem a informação de que ele já teria demonstrado algum interesse por uma delas. A outra, não”, explicou.

O homem foi interrogado pela Polícia Civil, mas negou os crimes. Segundo a delegada, entretanto, ele apresentou contradições durante o depoimento.

“Ele não confessa. Ele inicialmente negou, inclusive falou que no dia em questão, de 18 de julho, não havia saído de casa. Mas posteriormente ele começa a entrar em contradição”, disse.

Ainda segundo Marina, o suspeito admitiu posteriormente que havia saído de casa e que tinha visto a vítima ensanguentada.

“Ele chega a falar que viu a vítima e que ela estava ensanguentada. Mas, ao ser questionado por que ele não teria ajudado, prestado socorro ou até mesmo ligado para a polícia ou para o Samu, ele fala que não queria sujar as mãos de sangue e que não queria que achassem que fosse ele”, relatou.

A investigação também conseguiu imagens de câmeras de monitoramento da região. Segundo a delegada, os registros mostram o suspeito de bicicleta seguindo o mesmo trajeto feito pela vítima.

“Posteriormente também a gente conseguiu as câmeras de vídeo e monitoramento da cidade, que mostram ele na rua e não atrás da vítima. Então, o caminho que a vítima faz, ele também faz logo em seguida. Ele está de bicicleta”, afirmou.

Prisão

A Polícia Civil representou pela prisão temporária do suspeito. Segundo Marina, a medida foi considerada necessária para retirá-lo da localidade e proteger as vítimas.

“Por ser imprescindível retirá-lo ali da localidade, considerando que as vítimas demonstravam muito medo, uma delas inclusive chorou ao relembrar e falou que não queria ter… Assim, inicialmente ela não quis comunicar o fato por medo e por vergonha, por achar que ela tinha feito algo de errado”, afirmou.

O mandado de prisão temporária foi cumprido na tarde desta segunda-feira (24), no distrito de Nossa Senhora do Ó, sem intercorrências.

O suspeito, segundo a Polícia Civil, vivia com familiares. A investigação continua e, após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil pretende representar pela conversão da prisão temporária em preventiva.

A Polícia Civil acredita que outras mulheres podem ter sido vítimas do homem. Segundo a delegada, existem relatos ainda não confirmados que podem ajudar a identificar novos casos.

“Sim, nós achamos que há a possibilidade de existir outras vítimas. E também fica um apelo para que quaisquer vítimas, quaisquer mulheres que tenham se identificado com essa história, que tenham sofrido por atos semelhantes, que tenham ocorrido no município de Ipojuca, possam procurar a gente”, disse.

Marina também orientou mulheres que tenham sofrido crimes semelhantes em outras cidades a procurar a unidade policial mais próxima.

“Assim como qualquer outra mulher que tenha sofrido crimes semelhantes em outros municípios também procure a Polícia Civil mais perto”, afirmou.

Segundo a investigação, até o momento não há indícios da participação de outras pessoas nos crimes. A Polícia Civil considera que o homem teria agido sozinho.