Quadrilha investigada por desvio de dinheiro público é alvo de operação em Condado, na Mata Norte
Na manhã desta terça-feira (25), foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de valores pertencentes aos investigados. O Diario de Pernambuco revelou o caso com exclusividade no último dia 14 de agosto
Uma organização criminosa investigada por suspeitas de desvio de dinheiro público, corrupção e lavagem de dinheiro foi alvo de uma operação da Polícia Civil de Pernambuco nesta terça-feira (25), em Condado, na Zona da Mata Norte do Estado. A ação, chamada de Operação Sangria, cumpriu oito mandados de busca e apreensão e ordens para bloquear bens e valores dos investigados.
O Diario de Pernambuco trouxe o caso com exclusividade no último dia 14 de agosto, após a Justiça de Pernambuco autorizar a operação de busca e apreensão contra oito investigados por suspeita de desvio de recursos públicos destinados à saúde no município de Condado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco.
Dentre os alvos da diligência está o atual vice-prefeito de Catende, Rinaldo Barros (PV), ex-presidente do Instituto Reviver Brasil (IRB), investigado por possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo serviço prestado ao município de Condado, na Zona da Mata Norte do estado.
De acordo com a Polícia Civil, as investigações começaram em maio deste ano e são conduzidas pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção (2ª DECCOR).
Durante a investigação, os policiais encontraram suspeitas relacionadas ao dinheiro repassado ao instituto entre 2022 e 2024. Segundo a polícia, parte dos valores teria sido recebida sem que houvesse comprovação de que os serviços de saúde previstos no acordo foram realizados.
Os investigadores também identificaram movimentações de dinheiro consideradas suspeitas. A polícia afirma que há indícios de que essas operações poderiam ter sido usadas para esconder a origem dos valores. Outro ponto investigado é o possível uso de recursos e da estrutura do Instituto para beneficiar agentes públicos.
Todas as ordens judiciais foram expedidas pela Vara Única da Comarca de Condado. A investigação teve apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (DINTEL), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (RENORCRIM).
Decisão judicial
A decisão foi assinada no dia 13 de agosto, pelo juiz Ícaro Nobre Fonseca, da Vara Única da Comarca de Condado. De acordo com o magistrado, o caso é investigado pela 2ª DECCOR/DRACCO e tem como base uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Segundo o juiz, a Prefeitura de Condado teria repassado R$ 10,64 milhões ao Instituto Reviver Brasil (IRB), organização da sociedade civil contratada para prestar serviços de saúde. A auditoria do TCE-PE identificou o pagamento de R$ 875,4 mil a empresas subcontratadas sem comprovação adequada da prestação dos serviços.