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Polícia investiga denúncia de dois casos de estupro coletivo contra adolescentes em escola do Cabo

Segundo a advogada das vítimas, duas estudantes de 14 anos teriam sido abusadas por colegas da mesma unidade de ensino em ocasiões diferentes

Por Isabella Fabricio

Adolescentes de 14 anos teriam sido violentadas dentro da escola

A Polícia Civil de Pernambuco investiga a denúncia de estupro coletivo contra duas adolescentes de 14 anos dentro de uma escola municipal de tempo integral, localizada no bairro da Charnequinha, no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Segundo a advogada que acompanha o caso, os abusos teriam ocorrido em dias diferentes e vieram à tona após uma das vítimas relatar o que havia acontecido.

De acordo com a advogada Luanny Porto, um dos casos ocorreu na última segunda-feira (3), por volta das 12h, durante o intervalo das aulas.

"Uma das meninas teria entrado na sala de aula e cinco ou seis jovens que estavam no local deram uma rasteira nela, a derrubaram no chão e começaram a praticar os atos", afirmou a advogada. Ainda segundo ela, a adolescente também teria sido agredida com socos na região dos seios.

A advogada relatou que a sala estava escura porque, segundo informações repassadas à família, os professores haviam coberto as janelas com papelão para a exibição de um filme.

Ainda de acordo com Luanny Porto, após o episódio, a adolescente procurou a direção da escola. "A vítima procurou a diretora da escola, que teria pedido para ela não contar a ninguém, dizendo que tentaria resolver o caso", afirmou.

No dia seguinte, segundo a advogada, a adolescente se recusava a voltar à escola e chorava constantemente. Sem saber do ocorrido, a mãe insistiu para que ela comparecesse às aulas. Já na unidade de ensino, a jovem ligou para a mãe pedindo socorro.

"Ao chegar à escola, a mãe procurou a coordenação para saber o que havia acontecido. Lá, teria ouvido a diretora dizer à adolescente: 'Você não devia ter contado para sua mãe. Eu falei que iria resolver'", relatou a advogada.

Segundo Luanny Porto, a turma tem 25 estudantes, sendo apenas três meninas. Após a segunda denúncia, uma das adolescentes contou que havia sofrido situação semelhante cerca de um mês antes.

As mães das duas estudantes procuraram assistência jurídica e registraram o caso na Delegacia da Mulher. As adolescentes foram submetidas aos exames periciais e o caso também foi encaminhado ao Conselho Tutelar. Segundo a advogada, haverá ainda comunicação ao Ministério Público e à rede de proteção.

Ainda conforme Luanny Porto, as adolescentes estão emocionalmente abaladas e solicitaram transferência da escola. "A família de um dos adolescentes apontado como envolvido, todos alunos da mesma escola, teria procurado a casa de uma das vítimas para pedir que a queixa fosse retirada, alegando que tudo não passou de uma brincadeira", afirmou.

A Polícia Civil informou que instaurou inquérito para investigar o caso. Por envolver adolescentes, as investigações tramitam sob sigilo e outras informações não serão divulgadas para preservar as vítimas.

O que diz a Prefeitura do Cabo

A Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, por meio da Secretaria Municipal de Educação, informou que, desde que tomou conhecimento da denúncia, adotou todas as medidas cabíveis para garantir a proteção das possíveis vítimas e a apuração dos fatos.

"As estudantes estão sendo acolhidas e recebendo o acompanhamento necessário. A Secretaria também está disponibilizando suporte jurídico e psicológico às partes envolvidas, respeitando o sigilo e a preservação dos direitos de todos", informou a gestão municipal.

A prefeitura acrescentou que foi instaurado procedimento administrativo para apurar os fatos, em consonância com as providências adotadas pelos órgãos competentes. O caso está sendo acompanhado em articulação com o Ministério Público, o Conselho Tutelar e as demais autoridades responsáveis pela investigação.

Por fim, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que não houve omissão por parte da gestão da unidade escolar nem da própria pasta, sustentando que todas as providências cabíveis foram adotadas desde que a denúncia chegou ao conhecimento da administração.