PE registra média de 154 diagnósticos de câncer de mama e de colo do útero por mês
Nesta quarta (5), o Brasil celebra Dia Nacional da Saúde; a secretária estadual da pasta destaca estratégias de diagnóstico e cuidado precoce
Pernambuco registrou, em média, 154 diagnósticos de câncer de mama ou colo de útero por mês neste ano, segundo o Painel Oncologia, do Ministério da Saúde. Neste cenário, o desafio é antecipar detecções e reduzir a mortalidade por cânceres.
"As ações da saúde são bem amplas e a gente, enquanto Estado, tem uma atribuição muito direcionada, especialmente para a média e alta complexidade. Quando falamos de doenças oncológicas, falamos de diagnóstico precoce para podermos intervir na história natural da doença", explica a secretária de Saúde do Estado, Zilda Cavalcanti.
O ponto é um dos destacados pela titular da pasta nesta quarta (5), quando se celebra o Dia Nacional da Saúde. Entre janeiro e 4 de agosto deste ano, foram contabilizados 1.083 diagnósticos dos dois tipos de câncer, sendo 832 de mama e 251 de colo de útero.
Os números já representam 38,4% dos dados do ano passado inteiro. Em todo o ano de 2025, o acumulado atingiu 2.819 ocorrências no público feminino (2.218 de mama e 601 no colo uterino).
Diante das estatísticas, o Estado tem apostado na descentralização do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de programas como o Cuida PE Mulher.
São quatro carretas itinerantes distribuídas regionalmente (Região Metropolitana, Zona da Mata, Agreste e Sertão), realizando exames – são 123.644 procedimentos realizados em 175 municípios desde 2025, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE).
"As carretas da mulher trabalham dentro da lógica do SUS de forma regionalizada, regulada e com equidade para essas mulheres", comenta Cavalcanti.
A estrutura móvel busca ampliar a cobertura inicial, fortalecendo a triagem preventiva e confirmação diagnóstica na rede de média e alta complexidade. De acordo com os dados da SES-PE, 65.306 mamografias foram realizadas, 23.738 ultrassonografias das mamas e 23.067 consultas ginecológicas.
Exames citopatológicos (Papanicolau) foram 4.189, enquanto 2.115 colposcopias foram feitas. As teleconsultas com mastologistas foram 3.271. De biópsias, a contabilização de mama (guiadas por USG) é de 1.460; enquanto de colo do útero, 498.
Enquanto as mamografias isoladas respondem por mais da metade de todas as ações das carretas, o volume de exames confirmatórios de maior complexidade, como as biópsias, mostra a etapa em que a paciente precisa ser efetivamente inserida na rede especializada de oncologia (UNACONs e CACONs).
Intervenção precoce no colo do útero
A principal aposta da gestão estadual para evitar a interrupção no tratamento é o trabalho das enfermeiras navegadoras, profissionais responsáveis por acompanhar as mulheres que apresentam laudos alterados e direcioná-las aos serviços de referência.
"Com o resultado da biópsia do histopatológico sendo compatível com a doença oncológica, as mulheres podem ser encaminhadas às unidades de oncologia, os Unacons e Cacons credenciados ao longo do estado", afirma Zilda.
No caso do câncer de colo de útero, a estratégia centra-se no diagnóstico e na remoção de lesões pré-malignas (como as lesões NIC) ainda no nível ambulatorial.
"O câncer de colo de útero tem um crescimento lento. Se dado o diagnóstico precocemente, a gente fala realmente em curar esses casos. Na carreta, com o acesso à colposcopia e à citologia, e o encaminhamento nas UPAEs para a realização de CAF [Cirurgia de Alta Frequência], retiramos essas lesões de forma simples e evitamos o desenvolvimento do câncer", complementa a gestora.
Ações preventivas contínuas, como o programa Útero é a Vida (focado na identificação do vírus HPV de alto risco) e a imunização contra o HPV aplicadas na rede escolar pública, completam o conjunto de medidas articuladas para mudar o cenário da oncologia feminina no estado a longo prazo, compartilhou a secretária.