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Irmãs ligadas ao tráfico são presas por coagir moradores a contratar internet no Recife

As irmãs foram identificadas como Angélica e Amanda; elas têm parentesco com integrantes da quadrilha denominada Bonde dos Irmãos Metralha, que atua na Comunidade do Detran

Por Ricardo Novelino

Polícia Civil cumpriu mandados na Comunidade do Detran, na Iputinga

Deflagrada nesta quinta (2), na Comunidade do Detran, na Iputinga, na zona oeste do Recife, a Operação Cerco estratégico desmontou um esquema criminoso de coação de moradores para uso de sistemas internet na área.

Segundo a Polícia Civil pernambucana, entre os alvos da operação que foram presos estão duas irmãs, responsáveis pelo comando do crime na localidade.

Identificadas como Angélica e Amanda, elas têm parentesco com integrantes da quadrilha denominada Bonde dos Irmãos Metralha.

Essa organização atua também na Ilha do Bananal, considerado o “quartel-general” da criminalidade na área da Comunidade do Detran.

Na operação, foram cumpridos três mandados de prisão. Além de Amanda e Angélica, a polícia autuou o detento Natanael, um dos chamados “irmãos metralhas”.

A polícia foi ao Centro de Observação (Cotel), em Abreu e Lima, no Grande Recife, onde ele está preso, para cumpri o mandado.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão domiciliar. Um dos alvos foi a casa de uma das mulheres, considerada pela polícia uma “verdadeira fortaleza”.

Em entrevista coletiva concedida no fim da manhã desta quinta, o delegado Ney Luiz informou que Angélica era a companheira de Leo Shazam, o líder do grupo, que foi morto em Alagoas.

Ainda de acordo com a polícia, Romário Lucas da Silva é um dos líderes que ainda está foragido. Ele é conhecido na área como Pelé e tem três mandados em aberto.

As irmãs

O delegado Ney Luiz informou que Angélica e Amanda eram as donas da empresa que prestava serviços de internet na área. Elas coagiam as pessoas a usar os sistemas fornecidos pela quadrilha, considerado de baixa qualidade.

“Elas tinham ligação com o tráfico. Era um recurso extra do grupo criminoso. Estamos apurando o crime de lavagem de dinheiro, pois há movimentações bancárias suspeitas delas”, afirmou.

Operação

O delgado Ney Luiz disse que as equipes tiveram dificuldade de entrar na “fortaleza” das irmãs, na comunidade.

Ainda segundo ele, as irmãs determinavam que o sistema de internet só podia ser comprado à empresa delas.

“Não deixavam outra empresa operar na área. Houve a tentativa de instalação do estado paralelo na área”, acrescentou.

A ação Cerco Estratégico é um desdobramento da Operação Iara, que começou em maio deste ano.

No primeiro mês da operação, a polícia prendeu 17 suspeitos e apreendeu 17 armas de fogo, mais de 3,7 mil munições e drogas.

As investigações apontaram que a área funcionava como um centro de distribuição de drogas para outras localidades da Região Metropolitana do Recife, além de servir como base para integrantes do grupo investigado.