Goiana: moradores retornam para suas casas pela 2ª vez no ano após enchentes na Mata Norte
Segundo dados da Defesa Civil estadual e da Prefeitura de Goiana, 497 pessoas ficaram desabrigadas e 900 desalojados por conta das chuvas que atingiram a Mata Norte de Pernambuco no fim de semana; 495 permanecem em abrigos temporários
Pela segunda vez em 2026, moradores da comunidade Baldo do Rio retornam para suas casas com o rodo na mão a fim de retirar a lama deixada pela enchente do Rio Goiana, causada pela chuva que atingiu diversos municípios da Zona da Mata Norte de Pernambuco no fim de semana anterior.
Uma das áreas mais afetadas de Goiana é a da Rua Eulálio Ribeiro dos Santos. Com ajuda de carros pipas da Prefeitura de Goiana, os moradores tentavam fazer a limpeza das casas nesta quarta (1º).
A reportagem do Diario de Pernambuco foi até a comunidade e ouviu o drama de quem mora no local e busca, mais uma vez, recomeçar a vida debaixo do seu teto.
“A gente quase não conseguiu sair de casa com o barco que um rapaz nos emprestou. A água tava puxando muito”, relembrou a agonia Maria Aparecida da Silva, de 48 anos, que precisou abandonar a sua casa durante a madrugada do domingo (28), junto com o marido, filha e três netos.
“Com relação aos meus pertences, não veio ninguém da Prefeitura para tentar salvar. Isso fez com que eu perdesse guarda-roupa, cama e geladeira. A gente trabalha tanto para perder tudo novamente”, completou.
Maria Aparecida, que retornou para sua residência para limpá-la nesta quarta (1º), perdeu alguns móveis comprados após a primeira enchente, do dia 1º de maio.
“Por conta da enchente do Dia do Trabalhador, eu comprei um novo guarda-roupa, que acabou se perdendo nessa nova enchente. Já tinha perdido um, agora perdi o segundo, que nem ainda comecei a pagar as parcelas”, reclamou.
A enchente, que derrubou uma residência nas proximidades da casa de Maria Aparecida, fez com que ela se instalasse em um dos cinco abrigos temporários abertos em Goiana. Segundo a gestão municipal, 495 pessoas de 195 famílias permanecem nos abrigos.
“Eles estão dando assistência legal para a gente, mas temos medo de acontecer tudo de novo”, lamentou Maria Aparecida da Silva.
Com relação ao balanço geral da cidade, de acordo com os dados da Defesa Civil de Pernambuco divulgados nesta terça (30), Goiana contabilizou 497 desabrigados e 900 desalojados por conta das chuvas.
Problema recorrente
De acordo com a aposentada Linalva Gomes, de 64 anos, que reside nas margens do Rio Goiana desde que nasceu, esse problema já acontece com frequência na localidade.
“Lembro de minha mãe contar que quando eu estava na barriga dela, já existia essas cheias aqui. Desde que nasci sempre teve cheia. A enxurrada do fim de semana foi forte, mas já teve cheias piores em outros anos”, explicou Linalva Gomes.
Apesar das recorrências, muitos moradores explicam que não deixam a localidade por questão financeira e por apego emocional ao local.
Alerta da Defesa Civil
Todos os moradores ouvidos pelo Diario de Pernambuco nesta quarta (1º) relataram que houve uma demora no aviso da Defesa Civil municipal para que as pessoas saíssem das residências, algo que impactou na tentativa de salvar os pertences.
“Uma pessoa da Defesa Civil falou comigo no final da tarde dizendo que não era para a gente se preocupar e que não precisava sair de casa. Quando foi à noite, a água subiu muito rápido, que não deu nem tempo de tirar nada”, relembrou Maria Aparecida.
O secretário de Comunicação de Goiana, Fernando Veloso, rebateu a informação, durante entrevista a uma emissora de TV. Segundo ele, todos os alertas foram enviados pela Defesa Civil do município.
Auxílio prometido na enchente do Dia do Trabalhador
Outro ponto de crítica dos moradores atingidos pelas duas enchentes foi com relação ao auxílio prometido pela prefeitura após as chuvas do 1º de maio.
A reportagem do Diario procurou a Prefeitura de Goiana, que, por meio de nota oficial, informou que iniciará o pagamento do auxílio emergencial no valor de R$ 2.500 destinado às famílias atingidas pelas enchentes, referente às chuvas do dia 1º de maio.
O benefício, que foi aprovado pela Câmara Municipal, será pago via PIX, em parcela única, com recursos próprios do município.
Conforme a primeira-dama e secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, Ana Silveira, a relação dos beneficiários com cadastro concluído será divulgada nas redes sociais oficiais da Prefeitura e também nos abrigos temporários.