Acusado de matar o pai em Igarassu não ficará preso e será internado na Tamarineira
A família de Washington Édson Soares Cândido, de 23 anos, apresentou laudo de esquizofrenia e bipolaridade do suspeito à Justiça. Em depoimento, ele disse "ouvir vozes" e que tinha uma rixa antiga com o próprio pai
O suspeito de matar o próprio pai a facadas em Igarassu, no Grande Recife, não ficará preso preventivamente e será internado provisoriamente no Hospital Ulisses Pernambucano, na Zona Norte do Recife. Foi o que a Justiça de Pernambuco decidiu nesta quarta (1°), após Washington Édson Soares Cândido, de 23 anos, passar por audiência de custódia.
O Diario de Pernambuco teve acesso à decisão judicial, assinada pela juíza Simone Cristina Barros de Azevedo Silva, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Ela destacou que a defesa de Washington Édson apresentou documentação que comprova que ele tem questões psicológicas que impedem de ficar preso.
A juíza afirma, ainda, que observou elementos durante a realização da audiência de custódia que evidenciam a necessidade de Washington de acompanhamento especializado.
“As peculiaridades do caso concreto e seu estado de saúde recomendam a substituição da custódia cautelar pela aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, em especial a prevista no art. 319, inciso VII, do Código de Processo Penal, consistente na internação provisória do acusado nas hipóteses legalmente previstas, medida que se revela mais adequada e proporcional às circunstâncias verificadas, permitindo o devido acompanhamento de sua condição clínica sem prejuízo da regular instrução processual”, escreveu a magistrada.
Medidas
De acordo com a decisão, Washington será internado provisoriamente no Hospital Ulisses Pernambucano, na Zona Norte do Recife, para tratamento psiquiátrico, devendo lá permanecer até nova ordem judicial.
Ele usará tornozeleira eletrônica e deverá, ainda, comparecer em juízo sempre que intimado. Ficou estabelecido, também, o recolhimento domiciliar noturno a partir das 18h até as 6h do dia seguinte.
Washington também está proibido de se aproximar de familiares por qualquer meio de comunicação, devendo manter distância física mínima de 300 metros. Além disso, ele deve ficar afastado de locais habitualmente frequentados pelos familiares.
Prisão
Washington Édson foi preso nesta terça (30), cerca de um dia após a morte do pai dele, Edson Fernando Candido Filho, de 53 anos. A vítima foi morta a facadas na noite de segunda (29), na casa onde morava, em Igarassu, no Grande Recife.
Segundo o delegado titular da 6° Delegacia de Homicídios (DPH), Marcelo Cadore, a polícia agiu com cautela pela incerteza da estabilidade psicológica de Washington Édson. Ele deu uma entrevista coletiva nesta quarta (1°).
“Sabíamos que ele poderia estar próximo (ao local do crime). O nosso maior receio inicialmente era que ele retornasse para casa e pudesse fazer mais algum mal a outros familiares, porque ele poderia estar em algum tipo de surto psicótico. A gente não tinha essa noção até então”, comentou Cardore.
O delegado afirmou, ainda, que a corporação recebeu documentos que apontam laudos de esquizofrenia e bipolaridade de Washington. Além disso, ele seria usuário de drogas, conforme informações repassadas à PCPE.
Depoimento
Em depoimento, o suspeito afirmou que tinha uma antiga rixa com o pai e que estava “ouvindo vozes”, explicou o delegado.
“Ele falou que se sentia ameaçado, ele tinha esse receio de que o pai pudesse fazer alguma coisa contra ele, mesmo sem ter nenhum dado concreto de que isso pudesse acontecer. Os familiares dizem que a ameaça nunca existiu”, detalhou Cardore.