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Tubarões dos acidentes recentes no Grande Recife estão em lista dos mais perigosos do mundo

Casos reacendem debate sobre prevenção em áreas monitoradas e cuidados recomendados a banhistas no litoral do estado

Por Eduarda Carvalheira

Cemit aguarda estudo para avaliar a mudança das placas de restrição a banho em área onde menino foi atacado por tubarão, em Piedade

Segundo o International Shark Attack File (ISAF), principal banco de dados global sobre incidentes com esses animais marinhos, mantido pelo Museu de História Natural da Flórida, o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata figuram entre as três espécies mais associadas a ataques não provocados contra pessoas.

Na segunda-feira (1), a universitária Marcela Vitória de Lima Santos, de 19 anos, foi atacada por um tubarão-tigre em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Um dia antes, um menino de 11 anos foi mordido por um tubarão-cabeça-chata na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Ambos sofreram amputação de uma perna e seguem internados.

De acordo com o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a identificação das espécies foi feita a partir da análise das marcas deixadas pelas mordidas.

O ranking

No ranking do ISAF, o grande tubarão-branco aparece na primeira posição entre as espécies com maior número de ataques registrados contra humanos. "Isto se deve principalmente a seu tamanho, poder e comportamento alimentar", explica a organização.

Em seguida vêm o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), também conhecido internacionalmente como ‘bull shark’.

"O tubarão branco faz incursões ocasionais em águas frias e boreais, e foi registrado nas costas do Alasca e do Canadá. Ela ocorre no Atlântico ocidental, das Ilhas de Labrador à Flórida, ao norte do Golfo do México, às Bahamas e Cuba, assim como do Brasil à Argentina", acrescenta o ISAF.

No caso do cabeça-chata, a adaptação a ambientes de baixa salinidade permite que ele circule também em estuários e desembocaduras de rios.

Pernambuco

Segundo o Cemit, o ataque registrado na segunda foi o 84º incidente monitorado pelo órgão desde 1992. Desse total, 70 ocorreram no Grande Recife e 14 em Fernando de Noronha. O caso de Marcela também foi o 25º registrado na Praia de Boa Viagem.

Apesar da repercussão dos episódios recentes, especialistas destacam que ataques de tubarão continuam sendo eventos raros quando comparados ao volume de pessoas que frequentam o mar diariamente. Ainda assim, reforçam a importância de respeitar as placas de advertência instaladas ao longo do litoral pernambucano e seguir as recomendações de segurança emitidas pelas autoridades.

Confira a lista de locais com mais ataques de tubarão no estado:

Praia de Boa Viagem (Recife) - 25 casos
Praia de Piedade (Jaboatão) - 24 casos
Fernando de Noronha - 14 casos
Del Chifre (Olinda) - 6 casos
Praia do Paiva (Cabo de Santo Agostinho) - 4 casos
Pina (Recife) - 3 casos
Praia de Candeias (Jaboatão) - 2 casos