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Construtora de ex-prefeito de Jupi integra consórcio que vai administrar PPP de locação social no Centro do Recife

CPM Construtora, do ex-prefeito de Jupi Marcos Patriota, irá administrar junto com a Sanco Engenharia a PPP Morar no Centro, voltada para promoção de locação social na área central do Recife

Por Marília Parente

Projeto prevê novas construções e retrofit (reformas) de imóveis no Centro

 A CPM Construtora, que pertence ao ex-prefeito de Jupi Marcelo Patriota, integra o consórcio que irá administrar a PPP Morar no Centro, voltada para aluguel social na área central do Recife. Intitulado Consórcio Habitação Social Recife, o grupo também é composto pela Sanco Construtora e venceu o leilão realizado na última terça-feira (26), na sede da Bolsa de Valores Brasileira (B3), em São Paulo.

A parceria ficará responsável, pelos próximos 25 anos, pela gestão de seis prédios distribuídos entre os bairros de Santo Antônio, São José, Boa Vista e Cabanga. Realizada por iniciativa da Prefeitura do Recife, a PPP prevê a entrega de 1.128 unidades habitacionais, das quais 56% serão destinadas à locação social, através da combinação entre retrofit (reforma de prédios antigos) e construção de novos empreendimentos.

Sediada em Jupi, no Agreste de Pernambuco, a CPM Construtora tem cerca de 23 anos de atuação e possui diversos contratos públicos em curso nas áreas de habitação e infraestrutura. A empresa já trabalha em parceria com a Sanco em empreendimentos habitacionais ligados ao programa Promorar, da Prefeitura do Recife, além de contratos financiados pela Caixa Econômica Federal e pelo Governo de Pernambuco.

De acordo o diretor regional do Consórcio Habitação Social Recife, Humberto Melo, o convite para integrar o projeto partiu da própria Sanco, que buscava um parceiro local para concorrer à concessão. De origem alagoana, a Sanco está no mercado há cerca de 30 anos e também atua nos estados de Pernambuco e Paraíba.

“Contratamos escritório jurídico, de arquitetura, modelagem econômica e financeira, estruturalistas, orçamento. Montamos todo um time para estudar o projeto durante esses meses”, afirma Humberto Melo.

Ele cita o Residencial São José, a Comunidade do Bem, na Imbiribeira, o Residencial Engenho do Meio, o Residencial Pesqueira e o Residencial Alfredo Cintra, na cidade de São Bento do Una, como exemplos de atuação da Sanco na área de habitação. Após a homologação do resultado e assinatura do contrato, o grupo deverá iniciar a fase de elaboração dos projetos executivos, análise de solo e obtenção das licenças necessárias.

“A gente começa os estudos, análise de solo, desenhos, investigações, aprovações junto à prefeitura, Corpo de Bombeiros e outros órgãos para poder iniciar as obras com alvará de construção”, explica Humberto Melo.

Gestão continuada

Com a previsão de que 70% de sua receita seja oriunda do poder público, a PPP Morar no Centro é a primeira iniciativa de locação social do país realizada por meio de parceria com a iniciativa privada. O modelo do projeto prevê acompanhamento social das famílias atendidas, que deverão ter renda de até R$ 4.942, equivalente a 3,5 salários mínimos na data-base de 2024, residentes no Recife há pelo menos dois anos e que ainda não tenham sido contempladas por programas habitacionais.

“A ideia é fazer o acompanhamento das famílias que serão beneficiadas. Caso a renda delas cresça, elas podem ser desenquadradas da iniciativa, dando lugar a quem precisa”, acrescenta Humberto Melo.

Ele destaca ainda a possibilidade de realizar a gestão continuada das unidades habitacionais. “A gente observa que muitos empreendimentos são entregues e, ao longo dos anos, vão se deteriorando por falta de manutenção. Essa modelagem prevê que o consórcio fará gestão condominial e gestão social”, completa.

Representante da Sanco, Marcelo Raposo Ramires Saldanha destaca a atuação da empresa na área de habitação social com 30 mil unidades entregues. “Nosso compromisso vai além da entrega dos empreendimentos. Existe a possibilidade de acompanhamento desses conjuntos habitacionais pelos próximos 25 anos, realizando uma manutenção contínua, preservando espaços e principalmente desenvolvendo atividades sociais que fortaleçam os vínculos dos moradores trabalhadores com suas comunidades”, disse, após a conclusão do leilão na B3.