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Defesa de Flávio tenta derrubar ordem de Moraes sobre passaportes e afastar ministro

Flávio descumpriu a ordem judicial emitida por Moraes e deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano após o segundo turno das eleições

Por Estadão Conteúdo

Flávio Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a revogação da ordem de entrega dos passaportes do parlamentar. A medida havia sido determinada a pedido da Polícia Federal (PF), apresentado sete minutos após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmar sua derrota na disputa presidencial no dia 25 de outubro. O parlamentar é investigado por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo bets estrangeiras e empresas ligadas ao advogado Willer Tomaz.

Flávio descumpriu a ordem judicial emitida por Moraes e deixou o Brasil utilizando um passaporte italiano. O senador, a esposa e as duas filhas desembarcaram nos Estados Unidos na última quarta-feira (28) a bordo de um jato particular que pousou em Miami, na Flórida. A família deixou o território nacional por via terrestre e embarcou em Puerto Iguazú, na Argentina, realizando ainda uma escala para reabastecimento no Equador antes de chegar ao destino.

Alegação de duplicidade de investigação

A defesa do parlamentar, conduzida pelo advogado Tracy Reinaldet, sustenta que as suspeitas envolvendo a estrutura empresarial de Willer Tomaz, a possível ocorrência de lavagem de dinheiro e a atuação de organização criminosa já são apuradas no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sob relatoria do ministro André Mendonça. Tomaz foi alvo de mandados de busca e apreensão da Polícia Federal no dia 4 de agosto e nega qualquer irregularidade.

Paralelamente, os advogados de Flávio tentam retirar o caso do gabinete de Alexandre de Moraes. A defesa argumenta a existência de circunstâncias que comprometeriam a imparcialidade do magistrado à frente do inquérito, solicitando ao Supremo Tribunal Federal (STF) o reconhecimento de seu impedimento ou suspeição.

Troca de mensagens e segundo inquérito

Investigações apontam que Flávio figurava na lista de "contatos favoritos" de Willer Tomaz em um aplicativo de mensagens que combina criptografia avançada com a autodestruição do conteúdo após uma única leitura.

Além desse caso, o senador responde a um segundo inquérito, que apura suspeitas de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, com recursos atribuídos ao banqueiro Daniel Vorcaro.