Lulinha entrega sigilos a Mendonça e se coloca à disposição para depor, diz advogado
Defesa afirma que filho de Lula autorizou acesso a dados bancários, fiscais e telemáticos e que retornará ao Brasil caso seja chamado pela Polícia Federal
Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, colocou-se à disposição da Justiça para prestar depoimento e autorizou a abertura de seus sigilos fiscal, bancário e telemático, segundo o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com o defensor, os dados foram apresentados ao ministro André Mendonça e à Polícia Federal.
Em entrevista à CNN Brasil nesta terça-feira (20), Carvalho afirmou que Lulinha foi chamado pelo pai após a abertura de investigações contra ele e decidiu disponibilizar voluntariamente as informações às autoridades.
"Eu estou pedindo para o seu advogado levar ao conhecimento da Polícia Federal e do ministro André Mendonça, que é relator de um dos inquéritos, a sua disposição voluntária e espontânea de abrir o seu sigilo fiscal, bancário e telemático", relatou o advogado, reproduzindo a orientação que teria recebido de Lula.
Segundo Carvalho, ele esteve em Brasília e comunicou pessoalmente que estava autorizado a apresentar os dados de Lulinha e coloca-lo à disposição da Justiça para eventuais esclarecimentos.
O advogado também disse ter informado o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, sobre a disposição de Lulinha em colaborar com a investigação. "Estou preocupado com esses vazamentos, que o Fábio está à disposição e que ele vem a hora que tiver que vir", disse Carvalho ter afirmado ao diretor-geral da PF.
Lulinha atualmente mora na Espanha com a família. Segundo Carvalho, porém, a distância não impediria um eventual depoimento. "Se o Fábio for chamado, ele virá a todo e qualquer momento prestar esclarecimento", afirmou.
O advogado disse ainda que, após a manifestação da defesa, a Polícia Federal informou que não teria elementos suficientes sequer para realizar uma oitiva de Lulinha.
A PF, entretanto, mantém investigações envolvendo o filho do presidente. As apurações foram autorizadas pelo STF no fim de julho e investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas à atuação de empresas junto ao governo federal.
André Mendonça é relator de dois dos inquéritos, enquanto uma terceira investigação está sob relatoria do ministro Flávio Dino.
Relação com investigada no caso do INSS
Lulinha entrou no radar das investigações após a revelação de sua proximidade com a empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema de descontos fraudulentos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
O celular de Luchsinger foi apreendido pela PF. Relatórios da investigação apontaram suspeitas de que ela teria atuado para Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado pelos investigadores como figura central do esquema.
A inclusão de Lulinha nas investigações decorre, entre outros elementos, da apuração sobre sua relação com Luchsinger e de possíveis conexões com pessoas e empresas sob investigação.
Advogado critica investigação
Marco Aurélio de Carvalho afirmou que, na avaliação da defesa, Lulinha não deveria ser alvo das apurações e criticou a decisão da PF de manter o caso aberto. "Faltou coragem para a PF arquivar esse inquérito, porque é o que a PF tinha que fazer em relação à Roberta e ao Fábio", declarou.
O advogado também afirmou que Lulinha estaria sendo investigado principalmente por ser filho do presidente da República. "Se ele fosse filho do Bolsonaro em um governo Bolsonaro, um inquérito não seria nem instaurado", disse.
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