Lobista Roberta Luchsinger diz que deseja fazer delação e cita Lulinha
Roberta Luchsinger, investigada por corrupção e tráfico de influência em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha; presidente Lula e Flávio Bolsonaro se pronunciam sobre o caso
A oito dias da eleição do segundo turno no Brasil, a empresária e lobista Roberta Luchsinger, investigada por corrupção e tráfico de influência em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou em entrevista à CNN Brasil, neste sábado (17), que deseja e fará delação premiada assim que a Justiça julgar adequado. Ela ressaltou que responderá pelos seus atos, caso o que tenha feito seja considerado crime.
Sobre a disposição para delatar, declarou que pode revelar detalhes omitidos nas conversas de WhatsApp e garantiu que não poupará ninguém, nem mesmo o filho do presidente. "Você assiste a coisas, vê coisas. Tem como colaborar com fatos dos quais você não participou, mas presenciou", disse Luchsinger, acrescentando que aguarda os trâmites legais para dar início ao processo de colaboração.
Roberta Luchsinger, investigada pela PF no caso do INSS (nega envolvimento), promete delação à CNN: "eu não vou poupar ninguém, pode ser presidente da República, que a meu ver é um grande de um mau caráter [...] Não vou poupar filho de presidente." https://t.co/duhWhnGvBm
— Mafinha (@MafinhaBarba) October 17, 2026
Críticas a Lula e bastidores
Luchsinger, que no passado se definia como "melhor amiga" de Lulinha, criticou a postura da família presidencial e afirmou que, ao ver o empresário se calar e não defendê-la do próprio pai, concluiu que se tornou a vítima da situação, enquanto eles agiram como cúmplices.
A lobista fez referência aos episódios em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chamou de "pilantra" durante participação no Podcast Flow e em entrevista à TV Globo. Segundo ela, as declarações resultaram em ameaças de morte contra ela e suas filhas. Luchsinger reiterou que busca a delação por não ser filha do presidente e por ver seu nome ser manchado publicamente.
Na entrevista, criticou duramente o chefe do Executivo. Ao relatar que Lulinha esteve em reuniões com ministros do governo "inúmeras vezes", disparou: "Um presidente da República que não sabe o que está acontecendo na antessala dele ou é mentiroso, ou senil". A empresária citou ainda encontros com diversos ministros da gestão, incluindo o titular das Comunicações, Frederico Siqueira.
Roberta e Lulinha são alvos de inquérito da Polícia Federal que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suspeita de tráfico de influência no governo federal.
Lula nega contato com a lobista
Em nota enviada à CNN Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou categoricamente qualquer interlocução com Roberta Luchsinger.
"Como já esclareceu em outras ocasiões, o presidente Lula jamais manteve qualquer conexão com Roberta", informou a nota oficial. "É importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com ela. Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição."
O texto presidencial acrescenta que o país já testemunhou a divulgação de denúncias sem comprovação em outros pleitos e conclui: "A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores."
Reação no meio político
Apoiadores do governo optaram por não amplificar o tema nas redes sociais. O deputado André Janones (Rede-MG), coordenador de canais de mobilização pró-Lula, orientou a militância a ignorar o conteúdo da entrevista. "Se a campanha tiver que responder a alguma coisa, vai responder na televisão ou no jornal, onde a lógica do algoritmo não funciona. Você não vai engajar em nada negativo ao presidente", afirmou em mensagem enviada a apoiadores.
Por outro lado, a oposição usou as declarações para atacar a candidatura governista. O candidato a vice ou aliado na chapa, Flávio Bolsonaro (PL), comemorou a repercussão no X (antigo Twitter): "Bomba na família Lula. 'Mentiroso e mau-caráter'. Fala tudo, Roberta", escreveu.
O líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), informou ter enviado ofícios à Polícia Federal, ao Ministério da Justiça e à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a inclusão de Luchsinger em programas de proteção a testemunhas, além de pedir a convocação do ministro da Justiça, Wellington César, para prestar esclarecimentos na Comissão de Segurança Pública.
A deputada Coronel Fernanda (PL-MT), Procuradora da Mulher na Câmara, reforçou o pedido de proteção oficial para a empresária e suas filhas diante da gravidade das acusações.