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Lula aborda maioridade penal, relação com EUA e composição do governo em sabatina da Globo

Presidenciável petista comentou ainda sobre relação de Lewandowski com Daniel Vorcaro e defendeu medidas mais rígidas sobre conduta ética de autoridades

Por Amauri Lins

Lula em sabatina na TV Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou, nesta quinta-feira (15), sobre a composição de seu governo ao longo do terceiro mandato, formada por uma ampla coalizão, e as relações com o Congresso Nacional. Em sabatina concedida à TV Globo, o líder petista defendeu as alianças formadas com o Centrão e apontou a governabilidade como principal justificativa.

“Eu fui eleito tendo 70 deputados do meu partido de 513 e tendo nove senadores de 81. E nós aprovamos 99% de tudo que a gente fez aqui no Congresso Nacional”, declarou Lula. “Todos os partidos, com exceção do PL, participaram do meu governo. Todos participaram do ministério do meu governo. O PP participou, o União Brasil participou, o PSD participou, o MDB participou”, completou.

O presidente apontou a aprovação da reforma tributária como um dos exemplos de articulação exitosa conquistada a partir do diálogo com diferentes espectros políticos. “Uma coisa é as eleições que você disputa, mas quando você ganha, você precisa pensar na governabilidade e você precisa construir um bloco que dê sustentação no Congresso Nacional”, disse.

Redução da maioridade penal

Em relação à maioridade penal, Lula afirmou ser favorável à redução para 16 anos nos casos de crimes hediondos. Logo após a aprovação da PEC sobre o fim da escala 6x1, o senador Camilo Santana (PT) trouxe à tona a proposta de incluir na PEC da Segurança Pública a medida como resposta à proposta da oposição de reduzir a idade para 14 anos.

“Eu sou favorável a reduzir, mas não discutindo nessa PEC. PEC não é para discutir isso. Primeiro você discute a PEC, aprova a PEC e aí você pode discutir a maioridade penal ou não”, afirmou Lula. “Eu acho que não apenas eu, como cidadão, como ser humano, eu acho que a sociedade brasileira inteira sabe, é favorável à punição de qualquer crime hediondo”, completou.

Governo Trump

Sobre a relação com os Estados Unidos e a gestão de Donald Trump, Lula reconheceu que, a princípio, houve dificuldades, mas o diálogo evoluiu à medida em que as negociações foram se desenvolvendo. “Eu acho que a minha relação com o Trump foi a relação mais civilizada que ele já teve com outro presidente da República”, afirmou.

Lula mencionou as conversas sobre questões relativas ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmou que ministros brasileiros mantiveram negociações com representantes estadunidenses sobre os impactos dos impasses comerciais. “Eu acho que nós vamos chegar num acordo”, declarou.

O presidente apontou ainda as relações comerciais com outros países, como a China. “Embora a gente tenha perdido 9% na relação comercial com os Estados Unidos, nós perdemos 20% com a China, crescemos 15% com a Indonésia, 16% com a Alemanha, 13% com o Vietnã”, disse.

Lula também comentou sobre a classificação do PCC e do Comando Vermelho pelos EUA. Para o presidente, a interpretação do governo Trump sobre as organizações foi equivocada. “Quando os EUA falam de terrorismo, ele fala de terrorismo de Estado. Como quando atentaram contra as duas torres americanas, quanto aquele que quer dar golpe de Estado. Não é o caso das facções e do crime organizado no Brasil, que só querem dinheiro”, afirmou.

Relações de Lewandowski com Vorcaro

Questionado sobre as relações de Ricardo Lewandowski, ex-ministro da Justiça no seu governo, com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no maior esquema de fraude financeira do país, Lula defendeu a apuração de eventuais desvios de conduta.

“Quando eu resolvi indicar o Ministério da Justiça, eu o convidei. Ele largou a assessoria e veio e foi um belo ministro da Justiça pra mim. Um belíssimo ministro. Tenho saudade dele, porque foi um belíssimo ministro da Justiça”, afirmou.

O líder petista também defendeu a adoção de medidas mais rígidas no que se refere às condutas éticas de autoridades. “Nós precisamos fazer um levantamento a partir de tudo isso que aconteceu para que a gente tente moralizar muitas coisas no país. E essa é a minha determinação. Nós vamos trabalhar pra investigar tudo. Não há possibilidade nenhuma das coisas serem acobertadas”, disse.

Sobre a visita de Vorcaro ao Palácio do Planalto em dezembro de 2024, Lula afirmou que o encontro foi mediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que trabalha para o Banco Master na época. O presidente argumentou que recebeu o banqueiro da mesma forma que costuma receber outros empresários com dificuldades financeiras. “Ele foi me procurar, como todos que estão com problema vão me procurar”, declarou