° / °
Cadernos Blogs Colunas Rádios Serviços Portais

Eleições 2026 mantêm famílias tradicionais em grupos políticos de Pernambuco

Lyra, Campos/Arraes, Ferreira, Oliveira, Coelho, Gouveia e outros grupos familiares seguem com representantes eleitos para cargos estaduais e federais

Por Adelmo Lucena

Governadora Raquel Lyra (PSD), deputado estadual Antonio Coelho (UB), senadora eleita Marília Arraes (PDT) e Silvio Costa Filho (Republicanos), eleito deputado federal

As eleições de 4 de outubro mantiveram no cenário político de Pernambuco famílias que há décadas ocupam cargos eletivos e espaços de influência no estado. O resultado das urnas garantiu a permanência de sobrenomes tradicionais em diferentes níveis de poder, seja pela reeleição de políticos que já exerciam mandato, seja pela eleição de parentes para outros cargos.

Na disputa deste ano, Pernambuco elegeu governador, dois senadores, 25 deputados federais e 49 deputados estaduais. Raquel Lyra (PSD) foi reeleita governadora no primeiro turno, com 2.805.438 votos, o equivalente a 53,27% dos votos válidos. Ela é filha do ex-governador João Lyra Neto, neta do ex-prefeito de Caruaru João Lyra Filho e sobrinha do ex-ministro da Justiça e ex-deputado federal Fernando Lyra.

No Legislativo, outros núcleos familiares também permaneceram representados e em alguns casos, mais de um integrante da mesma família foi eleito em 2026. Em outros, a eleição de um descendente garantiu a continuidade de uma trajetória política iniciada por pais ou avós.

Campos e Arraes

Um dos principais exemplos é o grupo formado pelas famílias Campos e Arraes. Pedro Campos (PSB), filho do ex-governador Eduardo Campos e neto de Miguel Arraes, foi reeleito deputado federal e terminou a eleição como o candidato mais votado para a Câmara em Pernambuco, com 261.555 votos. Ele também é irmão de João Campos, que deixou a Prefeitura do Recife para disputar o Governo de Pernambuco e terminou a eleição em segundo lugar.

A família também estará representada no Senado e na Assembleia Legislativa. Marília Arraes (PDT), neta de Miguel Arraes, foi eleita senadora com 2.325.127 votos e Maria Arraes (PSB), sua irmã e também neta de Arraes, foi eleita deputada estadual com 75.888 votos.

O resultado mantém pessoas de diferentes gerações do grupo político iniciado por Miguel Arraes em cargos eletivos. Eduardo Campos, filho de Arraes, foi governador de Pernambuco e pai de João e Pedro Campos.

Ferreira

Os irmãos Anderson e André Ferreira também permanecem na política institucional de Pernambuco, embora em cargos diferentes dos que ocupavam anteriormente.

Anderson Ferreira (PL), ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e ex-deputado federal, foi eleito novamente para a Câmara dos Deputados, com 185.429 votos.

André Ferreira (PL), que exercia mandato de deputado federal, deixou a disputa pela Câmara e concorreu à Assembleia Legislativa. Foi eleito deputado estadual com 118.868 votos, a terceira maior votação individual para o cargo

Os dois irmãos estarão novamente em cargos eletivos a partir de 2027, um na Câmara dos Deputados e outro na Alepe.

Coelho

Em Petrolina, a família Coelho também manteve representação em Brasília e na Alepe. Fernando Filho (União Brasil) foi reeleito deputado federal. Ele chegou à próxima legislatura com o sexto mandato consecutivo na Câmara dos Deputados. Seu irmão Antonio Coelho (União Brasil) foi reeleito deputado estadual, com 72.372 votos.

Os dois são filhos do ex-senador Fernando Bezerra Coelho e irmãos do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho. A família esteve reunida durante a campanha deste ano em atos de apoio à reeleição de Raquel Lyra.

Miguel Coelho, que também chegou a ser colocado como possível candidato ao Senado, não disputou a vaga na eleição. Eduardo da Fonte acabou sendo o candidato da federação União Progressista, mas não foi eleito.

Da Fonte

Lula da Fonte (PP) foi reeleito deputado federal. Ele é filho do deputado federal Eduardo da Fonte, que disputou uma vaga ao Senado em 2026, mas terminou em quarto lugar, com 1.289.058 votos.

Lula da Fonte já exercia mandato na Câmara desde 2023 e seguirá no Legislativo federal a partir de 2027. Ele também é neto do ex-governador de Pernambuco Carlos Wilson. Nesse caso a continuidade ocorre por meio da permanência do filho no Congresso e o pai deixa a Câmara após não conseguir a vaga no Senado.

Nadegi

A reeleição de João de Nadegi (PV) para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), com 64.476 votos, mantém a família Queiroz do Nascimento na política estadual. Filho da prefeita de Camaragibe, Doutora Nadegi, o deputado cresceu acompanhando a atuação política da mãe, médica que construiu carreira no município do Grande Recife.

Antes de chegar à Alepe, João de Nadegi atuou como secretário de Governo de Camaragibe e disputou uma vaga de vereador em 2016, sem ser eleito. Em 2022, conquistou o primeiro mandato como deputado estadual. A mãe dele passou por cargos como secretária municipal de Saúde, vereadora, vice-prefeita por três vezes e deputada estadual antes de assumir a Prefeitura de Camaragibe.

Flávia de Nadegi, irmã do deputado, foi eleita vereadora do Recife em 2024, enquanto Camila Albanez, sobrinha da prefeita, conquistou uma cadeira na Câmara Municipal de São Lourenço da Mata.

Costa

Reeleito deputado estadual pelo PT, João Paulo Costa integra uma família com presença na política pernambucana em diferentes esferas. Ele é filho do ex-deputado federal Silvio Costa e irmão do deputado federal Silvio Costa Filho, que também fez carreira política em Pernambuco antes de chegar à Câmara dos Deputados.

João Paulo foi eleito para o primeiro mandato na Alepe em 2018, quando recebeu 24.789 votos. Antes disso, trabalhou na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), onde exerceu funções de gerência, e participou da coordenação de campanhas eleitorais do pai e do irmão. Em 2022, foi reeleito e, em 2026, alcançou mais um mandato, garantindo a permanência na Assembleia a partir de 2027.

Além disso, Silvio Costa Filho (Republicanos) também foi reeleito deputado federal em 2026. Em 2018, foi eleito para a Câmara dos Deputados e, em 2023, assumiu o Ministério de Portos e Aeroportos do governo Lula, cargo que ocupou até março de 2026.

Oliveira

A reeleição de Waldemar Oliveira (Avante) para a Câmara dos Deputados mantém a presença de uma família que acumula mandatos eletivos em Pernambuco há mais de cinco décadas. Ligado a Serra Talhada, no Sertão do Pajeú, o grupo tem como principal referência o ex-deputado federal Inocêncio Oliveira, que exerceu dez mandatos consecutivos na Câmara entre 1975 e 2015 e presidiu a Casa de 1993 a 1995.

A trajetória teve continuidade com Sebastião Oliveira, irmão de Waldemar, que foi deputado federal entre 2015 e 2023, depois de exercer três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa de Pernambuco, de 2003 a 2015. Em 2026, Sebastião foi eleito novamente para a Alepe, enquanto Waldemar garantiu a permanência na Câmara Federal.

Uchoa

Outro sobrenome tradicional da política pernambucana continuará presente no Congresso. Guilherme Uchoa Junior foi eleito deputado federal pelo PSD. Ele é filho do ex-deputado Guilherme Uchoa, que morreu em 2018 depois de exercer seis mandatos consecutivos na Alepe e permanecer na presidência da Casa por seis biênios.

Durante o período em que comandou a Assembleia Legislativa, também assumiu interinamente o Governo de Pernambuco em cinco ocasiões.

Vasconcelos

A família Vasconcelos também continuará representada na Alepe por Jarbas Filho (PSD), reeleito deputado estadual com 50.592 votos. Jarbas Filho é filho do ex-governador Jarbas Vasconcelos, que também foi prefeito do Recife, senador e deputado federal.

Lira

Outro exemplo de continuidade familiar está em Vitória de Santo Antão, onde Joaquim Lira (PV) foi reeleito deputado estadual com 50.770 votos.

Ele é filho de Elias Lira, ex-prefeito de Vitória de Santo Antão por quatro mandatos e também ex-deputado estadual. Joaquim exerce mandato na Alepe desde 2015 e foi novamente escolhido pelos eleitores para permanecer na Casa.

Albino

Em Garanhuns, Cayo Albino (PSB) foi eleito deputado estadual com 60.753 votos. Ele é filho do prefeito Sivaldo Albino e, antes de chegar à Assembleia, havia sido suplente de deputado estadual e ocupado cargo comissionado na Câmara Municipal de Garanhuns.

A trajetória do grupo também envolve o vereador Johny Albino, irmão de Sivaldo. Em 2023, o Tribunal de Contas do Estado aplicou multa a Johny por uma nomeação de Cayo para cargo comissionado na Câmara, caso que foi considerado nepotismo pelo órgão de controle.