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"O que ele tem a oferecer?": Lula questiona biografia de Flávio e defende legado social do PT em podcast

Ao falar sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula afirmou que não espera contrapartidas pessoais dos ministros que indica para a Corte

Por Alexandre Cunha

Lula também endureceu o discurso ao tratar do caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a entrevista ao Flow Podcast, na noite desta quinta-feira (1º), para questionar as credenciais de Flávio Bolsonaro (PL) para comandar o país e contrapor a candidatura do adversário às políticas sociais implementadas em seus governos. Ao longo da conversa, o petista citou a expansão do acesso às universidades, o Bolsa Família e investimentos no Nordeste para defender o que chamou de um Brasil “igualitário”.

“O que é que ele tem a oferecer? Eu fico imaginando, por que você sairia de casa ou o Lula da casa dele para votar no Flávio Bolsonaro. Pensando no quê?”, acrescentou.

A entrevista ocorreu após Lula ter decidido não participar do último debate presidencial da TV Globo, previsto para a mesma noite, que acabou cancelado pela emissora após decisões judiciais envolvendo as regras do encontro e a posterior desistência de Flávio Bolsonaro.

No Flow, Lula afirmou considerar a disputa política e o debate “extremamente saudáveis”, desde que, segundo ele, sejam realizados entre pessoas qualificadas. Foi a partir desse argumento que passou a atacar diretamente Flávio. “Você imaginar disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada como o Flávio Bolsonaro. Ele não tem passado, não tem presente e não tem futuro”, afirmou.

O presidente também disse acreditar que a disputa pode ser encerrada ainda no domingo. “Eu, sinceramente, acho que vou ganhar as eleições no primeiro turno. Acho que essas eleições vão ser definidas domingo”, declarou.

“Eu quero tornar o Brasil igualitário”

O presidente fez uma defesa das políticas sociais adotadas durante seus governos. Citou as cotas raciais nas universidades, o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), a expansão das universidades e dos institutos federais e políticas destinadas a indígenas e comunidades quilombolas.

Lula disse que pretende ampliar ainda mais o número de brasileiros com formação universitária no mercado de trabalho e associou esse movimento ao aumento da produtividade e da competitividade do país.

O presidente também relacionou a resistência ao seu campo político a medidas de transferência de renda e à ampliação de investimentos públicos para regiões historicamente mais pobres.

“Muita gente não gostaria que o dinheiro do Bolsa Família fosse para o pobre”, disse. Em seguida, mencionou obras como a transposição do Rio São Francisco e a Transnordestina.

“Tudo tem que ser para o Sul do país, tudo tem que ser para o Centro-Sul do país. Não. Eu quero tornar o Brasil igualitário. Eu quero que os estados tenham a mesma oportunidade”, afirmou.

“Virou uma putaria”

Lula também endureceu o discurso ao tratar do caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e das relações do empresário com integrantes dos meios político e jurídico. “Virou uma putaria”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula defendeu que as investigações avancem independentemente de quem possa ser atingido. “Precisamos investigar, doa a quem doer. Não pode continuar essa promiscuidade política no país”, declarou.

O caso Vorcaro também apareceu na reta final da campanha eleitoral como parte da ofensiva política do PT contra Flávio. A propaganda eleitoral de Lula exibida nesta quinta citou, entre outros episódios envolvendo o candidato do PL, sua relação com o banqueiro.

STF e independência entre Poderes

Ao falar sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), Lula afirmou que não espera contrapartidas pessoais dos ministros que indica para a Corte e defendeu a autonomia do Judiciário. “Eu não indico ninguém para fazer favor para mim. Nunca eu pedi um favor”, afirmou.

Lula citou Dias Toffoli, indicado por ele ao Supremo em 2009, ao lembrar do período em que esteve preso em Curitiba. O presidente recordou que não recebeu autorização para deixar a prisão e acompanhar o velório do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, em 2019.

“O Toffoli que indiquei foi o cara que negou para eu sair da cadeia e ir ver o meu irmão morto. Nunca liguei para ninguém para pedir favor pessoal”.