Operação mira banco que teria ajudado a lavar dinheiro usado no filme sobre Bolsonaro
Terceira fase da Carbono Oculto cumpre mandados em sete estados; Alvos são executivos envolvidos em esquema com ramificações no PCC
A Polícia Civil, o Ministério Público de São Paulo e a Receita Federal deflagraram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, com o cumprimento de mandados de busca e apreensão em sete estados. O alvo principal é um esquema de lavagem de dinheiro que teria usado o Banco Genial para disfarçar a origem de recursos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Entre os alvos das buscas está Antonio Carlos Freixo Júnior, empresário que fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República no processo sobre o Banco Master e que, segundo os investigadores, usou uma de suas empresas para enviar parte dos 12,33 milhões de dólares que Vorcaro destinou ao financiamento do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, ligado ao Ministério Público de São Paulo, o alvo da investigação é a compra da distribuidora de combustíveis Terrana, uma das dez maiores do país, negociada por até 153 milhões de reais em 2024. Os investigadores apontam que a compra foi feita, na prática, pelos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, apontados como líderes do esquema. Os dois, porém, não aparecem entre os alvos das buscas desta fase e seguem foragidos desde agosto de 2025, quando tiveram a prisão decretada na primeira etapa da operação.
Para esconder que eram os verdadeiros donos da distribuidora, a dupla teria criado fundos de investimento e empresas de fachada, movimentando o dinheiro por contas de passagem antes de ele chegar à compra da Terrana. Documentos citados pelos promotores mostram que mais de 120 milhões de reais passaram por companhias usadas apenas para disfarçar a origem dos recursos.
O papel do Banco Genial
De acordo com os promotores, o Banco Genial teria funcionado como uma estrutura financeira para mascarar quem realmente era dono do dinheiro usado na compra. A investigação identifica o executivo Humberto Tupinambá, sócio do banco, como uma das peças centrais do esquema, junto com os irmãos André e Bruno Tupinambá, também alvos de busca nesta quinta-feira. Mensagens obtidas pelos investigadores, extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores da operação, indicam que o grupo discutia inclusive como driblar a fiscalização da Secretaria da Fazenda de São Paulo caso ela cobrasse explicações sobre os empréstimos usados na operação.
A ligação com o Banco Master e o filme sobre Bolsonaro
Antonio Carlos Freixo Júnior é o dono da empresa Entre Investimentos, batizada pelos investigadores como Grupo Entre, apontada como o canal usado por Daniel Vorcaro para enviar 12,33 milhões de dólares ao financiamento do "Dark Horse". Segundo os promotores, a Entre Investimentos também repassou 20 milhões de reais à usina Itajobi, uma das empresas do interior de São Paulo usadas na engenharia financeira que culminou na compra da Terrana, o que aproxima o esquema de combustíveis do caso Master.
Operação também mira o crime organizado
O Ministério Público classifica o esquema como ligado à chamada máfia dos combustíveis, um grupo que, segundo as investigações, mantém vínculos com o PCC e usaria postos de gasolina para lavar dinheiro do tráfico de drogas. A Operação Carbono Oculto já havia mirado esse grupo em fases anteriores, entre elas uma que resultou na liquidação, pelo Banco Central, da gestora de fundos Reag Investimentos, cujo dono fechou recentemente um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República.
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