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Relatório da Abin alerta para risco de interferência dos EUA nas eleições

Documento reservado enviado a Lula detalha escalada de pressão de Trump e Rubio

Por Estado de Minas

O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio

Um relatório reservado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) classificou como “nível de criticidade” o risco de interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026 no Brasil. O documento foi enviado à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça no fim de agosto. A existência do relatório e seu teor foi revelado pela colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

O texto aponta uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil”. Segundo a agência, a reafirmação da hegemonia norte-americana na América Latina é uma prioridade para um eventual segundo governo de Donald Trump, buscando reduzir a influência de potências rivais na região.

A escalada da pressão

As ações dos EUA desde maio indicam um aumento da pressão, especialmente após o governo Trump designar organizações criminosas brasileiras como “terroristas” e anunciar retaliações comerciais. A agência considera que as sanções contra dois brasileiros e quatro empresas por supostos vínculos com o PCC representam uma “mudança de fase na escalada de sanções e interferência”.

Com a medida, a pressão passou a gerar efeitos concretos contra pessoas e empresas brasileiras. O relatório afirma que a interferência agora incide sobre relações financeiras, reputação empresarial e acesso ao dólar. O padrão identificado pela Abin segue uma sequência:

- Enquadramento de organização criminosa brasileira como ameaça à segurança dos EUA;

- Construção de narrativa sobre sua atuação transnacional;

- Vinculação do tema ao sistema financeiro norte-americano;

- Adoção de medidas sancionatórias contra indivíduos e empresas do Brasil.

Segundo o órgão, as sanções podem induzir agentes econômicos a adotar condutas preventivas por receio de punições secundárias ou danos à reputação.

O papel de Marco Rubio

O relatório da Abin dedica atenção especial a Marco Rubio, Secretário de Estado e assessor de Segurança Nacional. A agência afirma que Rubio atribuiu a Lula a responsabilidade pela imposição de tarifas contra produtos brasileiros, personalizando a ação política dos EUA.

Essa declaração, segundo o documento, tem potencial para impactar o debate público no Brasil, sendo amplificada por veículos de comunicação e atores políticos. A atuação de Rubio é descrita como portadora de um componente ideológico, que busca influenciar a política externa de países da América Latina para distanciá-los da China e apoiar a ascensão de governos conservadores.

Em outubro do ano passado, o governo Trump já havia tentado impor ao Brasil que “dissidentes políticos” pudessem participar das eleições, conforme revelado pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Em entrevista à rádio Itatiaia, o presidente Lula classificou o documento dos EUA como um “arquivo morto” e considerou inaceitável a pretensão norte-americana sobre as riquezas minerais do país.

Leia a notícia original no site do jornal Estado de Minas