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Pastores questionam André Mendonça por exercer funções no STF e na Igreja

Documento conta com 24 assinaturas e aponta para incompatibilidade teológica de exercer simultaneamente as duas funções

Por Luíza Altoé - Correio Braziliense

Mendonça atua como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025

Um grupo de pastores, em sua maioria presbiterianos, apresentou uma interpelação de interesse público a André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando o ministro sobre suas atuações simultâneas na Justiça e na Igreja.

O documento conta com 24 assinaturas e aponta para a incompatibilidade teológica de, além de ministro, André Mendonça atuar como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025.

Segundo o texto, não se trata de um caso de “animosidade pessoal”, mas de “dever de consciência, zelo da pureza da Igreja e a convicção, também confessional, da separação entre a Igreja e o Estado”.

“Falamos como irmãos, mas com o respeito que lhe é devido — alguns de nós encanecidos no ministério — que recordam a um pastor mais moço o que a vocação exige de todos nós”, escrevem.

O documento cita o vídeo divulgado pelo ministro em meio à crise no STF, em que agradece os fiéis da igreja pelo apoio. A fala ocorreu no dia 4 de setembro, após receber ataques pela sua atuação na condução do processo do caso Master.

Naquela semana, o ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) contendo mensagens que ligam o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“Converteu-se o pastor em fiador do juiz e o rebanho em base de apoio — precisamente a confusão que a Confissão veda”, critica o documento, ao se referir a Confissão de Fé de Westminster, adotada e seguida pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Os pastores defendem que a mesma mão que “empunha a espada que o Estado confiou” não pode ser a mesma que detém as “chaves que só à Igreja pertencem”. Ou seja, um magistrado não poderia atuar como líder religioso, ou o contrário.

“Quem recebeu e adotou sinceramente a Confissão como fiel exposição do sistema de doutrina não pode invocá-la quando lhe convém e desconhecê-la quando lhe pesa”, apontam.

Eles sustentam ainda que a magistratura não apenas disputa tempo do ministério, como compromete a “transparência do pastor”, prejudicando seus fiéis. “Por isso dizemos sem rodeios: pastor deve ser pastor”, pontuam.

Diante desse cenário, a interpelação questiona o ministro sobre, entre outras medidas, como ele concilia as duas funções, tendo em vista a Confissão seguida pela Igreja.

“Como poderá ser tido por árbitro imparcial das liberdades religiosas de todas as confissões quem é, ao mesmo tempo, pastor de uma delas? E como poderá um presbitério exercer com independência a disciplina eclesiástica sobre membro da Suprema Corte?”

Confira matéria no Correio Braziliense.