PF faz busca e apreensão contra o deputado Mário Frias por emendas do filme "Dark Horse"
Ação apura suspeita de desvio de recursos públicos destinadas à produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, da qual Frias é produtor-executivo
A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta quinta-feira (10), mandado de busca e apreensão contra o deputado federal Mário Frias (PL-SP) no âmbito da Operação Make Up, deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). A ação apura suspeita de desvio de recursos públicos de emendas parlamentares destinadas à produção do filme "Dark Horse", cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da qual Frias é produtor-executivo.
Ao todo, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, todos autorizados pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). Além de Frias, são alvos duas organizações não governamentais ligadas a Karina Gama, dona da produtora do filme, o Instituto Conhecer Brasil e a Academia Nacional de Cultura. Karina não consta individualmente entre os alvos dos mandados. Outras vinte pessoas também são investigadas na operação.
A Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10), é o capítulo mais recente de uma investigação que já dura meses e que se ramificou em pelo menos duas frentes dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A produção do filme é da GoUp Entertainment, empresa de Karina Gama, e que tem Mário Frias como produtor-executivo. A estreia nos Estados Unidos está prevista para 11 de setembro. O orçamento já executado do filme gira em torno de R$ 65,7 milhões, segundo a própria produtora informou à imprensa.
O que apura a PF
A apuração sobre o financiamento do filme nasceu como desdobramento da operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master e seu ex-controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde novembro de 2025. Em maio, o site Intercept Brasil revelou mensagens e um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, cobrava recursos de Vorcaro para bancar a produção. Karina Gama afirmou publicamente que o banqueiro foi responsável por mais de 90% da verba que viabilizou o filme.
Segundo a produtora, o valor total acertado com Flávio Bolsonaro para o projeto foi de R$ 134 milhões, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido pagos por Vorcaro, o que o tornaria o maior financiador individual da produção.
Como o dinheiro teria circulado
De acordo com as investigações, os recursos não teriam ido diretamente de Vorcaro para a produtora do filme. O caminho apontado pela PF passa por, pelo menos, três etapas: primeiro, os recursos atribuídos a Vorcaro ou a empresas ligadas a ele; depois, a movimentação por meio da Entre Investimentos e Participações, holding de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro"; e, por fim, o envio ao Havengate Development Fund LP, um fundo sediado no Texas, nos Estados Unidos.
O Havengate é administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL). Freixo Júnior, o "Mineiro", fechou acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e confirmou ter feito sete transferências ao fundo a pedido de Vorcaro, somando US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 69 milhões na cotação da época.
A Polícia Federal e a PGR tentam esclarecer se todo o dinheiro enviado ao Havengate foi usado na produção do filme ou se parte dele também pode ter custeado despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele está desde 2025.
Eduardo nega qualquer irregularidade e afirma que sua participação se limitou à cessão de direitos de imagem.