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Arapongagem e uso de ônibus públicos: veja acusações da coligação de João contra Raquel Lyra

Jurídico da coligação de João Campos pretende apresentar Ação de Investigação Judicial Eleitoral no TRE-PE e levar denúncias a outros órgãos

Por Adelmo Lucena

Frente Popular de Pernambuco fala sobre medidas judiciais contra "gabiente do ódio"

A Frente Popular de Pernambuco anunciou, nesta quinta-feira (27), uma série de medidas judiciais e administrativas contra o Governo de Pernambuco e a candidatura à reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), após reportagem exibida pela TV Record apontar a existência de uma suposta estrutura de ataques digitais contra adversários políticos da governadora.

Entre as medidas está a apresentação de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ao Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE), com cinco eixos que, segundo a Frente Popular, podem caracterizar abuso de poder político e econômico, uso indevido dos meios de comunicação e condutas vedadas a agentes públicos.

O primeiro eixo da AIJE envolve a suposta utilização de ônibus escolares públicos para transportar militantes à convenção que homologou a candidatura de Raquel Lyra à reeleição, realizada em 2 de agosto, no Parador Recife. O advogado Rafael Carneiro, representante da Frente Popular de Pernambuco, afirmou que a equipe jurídica reuniu registros dos veículos, incluindo placas e identificação dos ônibus que teriam saído de municípios do interior para o evento.

O segundo trata do episódio classificado pela oposição como “arapongagem”. A Frente Popular sustenta que integrantes da estrutura de inteligência e da Polícia Civil teriam sido utilizados para monitorar clandestinamente um secretário da Prefeitura do Recife e o irmão dele, sem autorização judicial. Segundo o advogado, a ação envolveria a participação de três delegados e sete agentes da Polícia Civil.

O terceiro ponto questiona a utilização de uma aeronave adquirida pelo Governo de Pernambuco por aproximadamente R$ 64 milhões. O equipamento foi comprado com a justificativa de atender a missões como transporte de pacientes, transporte de órgãos e operações aeromédicas.

A Frente Popular afirma ter identificado deslocamentos da governadora para atividades político-partidárias e sustenta que teria ocorrido desvirtuamento da finalidade do bem público.

Além disso, há uma denúncia sobre publicidade institucional. Segundo o jurídico da coligação, o Governo de Pernambuco teria ultrapassado em aproximadamente R$ 5 milhões o limite de despesas com publicidade permitido no primeiro semestre do ano eleitoral. A equipe também questiona a manutenção de marcas e slogans de programas estaduais em obras públicas, tapumes, máquinas e painéis eletrônicos durante o período vedado.

A Frente Popular ainda denuncia o suposto “gabinete do ódio” e afirma que a AIJE reunirá elementos sobre uma rede de perfis e operadores digitais que teria sido utilizada para atacar João Campos e outros adversários de Raquel Lyra, com financiamento proveniente de recursos públicos.

“O gabinete do ódio é integrado por uma rede de perfis e de pessoas que são financiadas com recursos públicos, que deveriam estar sendo revertidos em prol da população. Esses recursos públicos e esses servidores públicos agem no submundo digital para atacar e difamar adversários políticos.”

A reportagem da Record apontou que Amisadai Andrade teria afirmado, em vídeo, que havia sido chamado pela governadora para atuar na produção de conteúdos contra João Campos. A emissora também relatou a existência de mais de 300 perfis associados à estrutura.

Carneiro ressaltou que a acusação sobre a participação direta de Raquel Lyra teria partido do próprio servidor citado na reportagem. “É um servidor público que fala isso, não sou eu. Houve a prova do registro que ele esteve na Casa Civil, além de ter estado na Secretaria de Comunicação.”

A coligação também anunciou que pretende levar o caso a órgãos como Ministério Público Estadual, Ministério Público Eleitoral, Controladoria-Geral da União (CGU), Tribunal de Contas da União (TCU), Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e Caixa Econômica Federal.