"Pernambuco perdeu o protagonismo, mas não foi no nosso governo", afirma Raquel Lyra
A candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), encerrou, nesta quarta-feira (26), a série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Governo de Pernambuco
A candidata à reeleição, a governadora Raquel Lyra (PSD), encerrou, nesta quarta-feira (26), a série de sabatinas promovida pelo Diario de Pernambuco com os postulantes ao Governo de Pernambuco nas eleições de 2026. Na ocasião, a governadora afirmou que o estado perdeu o protagonismo, mas que isso não teria acontecido durante o seu mandato.
“Pernambuco, de fato, perdeu o protagonismo. Agora, não foi no nosso governo. Pernambuco viu os nossos vizinhos da Paraíba, de Alagoas, do Ceará e da Bahia e, às vezes, até olhando para o Maranhão, para o Piauí, crescerem. E a gente foi ficando para trás”, declarou.
Na entrevista, Lyra também citou entregas durante a sua gestão e afirmou que a Transnordestina, no trecho entre Salgueiro e Suape, deve avançar no estado. "Na verdade, a obra vai ser entregue antes disso [2030]. Essa é uma obra do governo federal, retomada por uma decisão do presidente Lula após uma mobilização nossa", disse.
Já sobre as 250 creches prometidas, a candidata comentou que 14 foram inagurada e previu a entrega de mais 100 até o final de 2026.
A pesquisa Quaest mostra a senhora com 44% das intenções de voto, 12 pontos à frente do principal adversário, o candidato João Campos. Como esses números estão sendo analisados internamente pela campanha da senhora? E qual é a expectativa com o início do guia eleitoral na televisão, nesta semana?
Eu sempre coloco que a pesquisa é muito importante para balizar o nosso trabalho. Tem um número que é mais importante nesse momento: 70% da população de Pernambuco acredita que o que a gente está fazendo faz sentido para ela. A gente teve coragem de botar luz sobre o problema.
Nós já conseguimos mais investimento do que aconteceu nos oito anos do governo que nos antecedeu. Portanto, fico muito feliz com o reconhecimento da população, sabendo que precisamos continuar trabalhando muito.
Na sabatina do Diario, João Campos rebateu falas da sra sobre a situação herdada das gestões do PSB em Pernambuco. Ele disse que "um governador não deve ficar terceirizando desculpa ou responsabilidade". A sra. e seu pai também participaram de momentos da gestão do PSB no passado. O que a sra. tem a comentar?
Você não vai ver uma fala minha falando de 16 anos. Tem temas que, de fato, não foram tocados ao longo de 16 anos, por exemplo, o metrô do Recife, que não diz respeito a uma responsabilidade direta do governo, mas diz respeito ao transporte metropolitano e aquilo que se pode fazer como governador.
Eu participei do governo de Eduardo [Campos]. Eu não apago nem um milímetro da história que pude viver como advogada do Banco do Nordeste, delegada da Polícia Federal, procuradora do Estado, secretária de Estado, deputada estadual e duas vezes prefeita.
Uma reportagem da Rede Record trata de uma suposta estrutura de perfis da internet que estaria sendo usada para dirigir ataques a adversários. Hoje, um servidor ligado ao caso, que era vinculado à Secretaria de Turismo, teve a exoneração publicada no Diario Oficial. Foi um reconhecimento de que havia alguma irregularidade em curso?
Desde que eu estou disputando a eleição de 2022, eu sofro ataques de maneira sistemática por perfis e por pessoas. Para quem é mulher e disputa um mandato eletivo, muita gente coloca muitos adjetivos. Eu demorei a entender o quanto isso é, de fato, violência política.
Sobre a reportagem da Record, nós estamos tomando os meios jurídicos necessários para poder garantir que a verdade possa sempre prevalecer. A pessoa foi indicada, nomeada e foi exonerada porque aparece colocando inverdades, e todas as medidas que forem necessárias para buscar a verdade serão tomadas. Eu tenho sido vítima disso o tempo inteiro. Isso está na Justiça para ser avaliado.
A senhora tem falado que vai criar 7 mil vagas de presídio. A gente tem um relatório recente da Defensoria Pública que traz problemas na situação do presídio de Igarassu. Ali tem mais de 6 mil presos, sendo que a capacidade seria de pouco mais de 1 mil. Então, como é que 7 mil vagas vão dar conta se a gente tem 23 unidades prisionais no estado?
Quando eu ainda estava na transição, recebi a condenação que Pernambuco tinha na Corte Interamericana de Direitos Humanos pelas péssimas condições do Presídio do Curado. Nós derrubamos o presídio do Curado e o complexo do Barreto Campelo, sem prometer, e estamos construindo novas vagas.
Criamos a Secretaria de Administração do Sistema Penitenciário e coloquei mais de R$ 1 bilhão de orçamento nessa secretaria. Retomei obras paralisadas há mais de dez anos, como o presídio de Tacaimbó e o de Araçoiaba.
São 7 milvagas para reestruturar todo o sistema penitenciário de Pernambuco, para as quais eu precisaria de R$ 4 bilhões. Estamos trabalhando com recursos próprios e também buscando parcerias junto ao governo federal.
A sra é a primeira mulher a governar Pernambuco, mas infelizmente a gente tem visto um número alto de feminicídio. A sociedade civil e parlamentares denunciam que menos da metade das delegacias da mulher estão funcionando 24 horas. Houve alguma falha nesse enfrentamento? E como a população deve acreditar que um segundo mandato será capaz de entregar uma rede de proteção mais estruturada?
Eu sou mulher e tenho a responsabilidade de ser a primeira governadora de Pernambuco. Eu sei que a violência contra a mulher se pratica dentro de casa, pelo companheiro ou ex-companheiro. Nós abrimos todas as delegacias da mulher na Região Metropolitana do Recife para funcionar 24 horas, além de Caruaru e Petrolina. Abrimos 39 salas lilás em delegacias da Polícia Civil. Dobramos a quantidade de centros de referência para mulheres, abrindo novos 30 centros.
Nós entregamos viaturas, computadores, mesas, cadeiras e reformamos as casas-abrigo do Estado, que antes eram locais vergonhosos e inabitáveis. Colocamos qualificação profissional, prioridade na distribuição de casas pelo programa Morar Bem em Pernambuco e programas de crédito para dar independência financeira às mulheres. Além disso, implementamos o monitoramento com tornozeleira.
Na área da cultura, um dos estandartes do seu mandato é o Festival Pernambuco Meu País. No entanto, há críticas de profissionais de que continua acontecendo o fenômeno do atraso de cachês. Como planeja fortalecer o segmento nos próximos anos?
Nós mudamos o padrão junto à Empetur e à Fundarpe em relação aos governos anteriores, em que artistas diziam que receber do Estado era como uma "poupança" que demorava anos. A gente mudou o padrão de forma que as pessoas se emocionam ao receber direto na conta rapidamente.
Eu gostaria de ter acesso a essa informação específica para entender se há algum tipo de problema orçamentário pontual e solucioná-lo, mas esse não é o nosso padrão. O festival Pernambuco Meu País é um sucesso absoluto, que movimenta a cena cultural, a economia, o turismo e a gastronomia.
Nós privilegiamos e fortalecemos o circuito do Carnaval, Semana Santa, São João e agora o festival multicultural, garantindo respeito total aos fazedores de cultura.
O adversário da sra. afirmou que "todo o bolsonarismo" estaria no seu entorno. São citados exemplos de nomes como Clarissa Tércio, Eduardo Moura e Mendonça Filho. A senhora rejeita esse rótulo de bolsonarista?
Vão querer me rotular o tempo inteiro. Tentam me colocar de uma cor ou um sufixo que não seja o de amar Pernambuco e colocar o nosso estado acima de qualquer discussão. Diziam que eu não ia conseguir construir pontes com o governo federal, mas os investimentos estão acontecendo. O presidente Lula me acolheu desde a primeira vez.
Fui mais de 100 vezes a Brasília para levar projetos e resgatar a credibilidade do governo estadual. O governo anterior brigou com três presidentes da República: Dilma, Temer e Bolsonaro. Quem perdeu foi Pernambuco, por falta de capacidade de diálogo.
Nós temos uma relação institucional forte com o governo federal, entregando 26 mil casas, retomando o canal do Fragoso e obras do Minha Casa, Minha Vida. Em meu palanque, há pessoas que pensam diferente, mas estão unidas em torno de um propósito: a virada de chave em Pernambuco.
O candidato João Campos prometeu o trecho da Transnordestina em Pernambuco até 2030. Sendo reeleita, a sra vai tirar esse trecho do papel?
Na verdade, a obra vai ser entregue antes disso. Essa é uma obra do governo federal, retomada por uma decisão do presidente Lula após uma mobilização nossa. Em dezembro de 2022, assistiram calados à retirada da Transnordestina do braço de Pernambuco no governo anterior.
O presidente Lula me pediu três prioridades para Pernambuco: o metrô do Recife, a adutora do Agreste e a Transnordestina. A obra está sendo recomeçada com dinheiro público e sob o meu ponto de vista de gestora e procuradora do Estado, sabemos que ela garante a ligação de Pernambuco ao Brasil e ao mundo através de Suape.
Além disso, recuperamos 1,6 mil km de estradas, temos mais de 1,5 milkm em execução e licitamos mais R$ 2 bilhões em obras rodoviárias, como o Arco Metropolitano e a duplicação da BR-232 até Belo Jardim."
No seu novo plano de governo, a sra promete a conclusão de 250 creches que já foram prometidas no primeiro plano. O eleitorado quer saber: ao final de um possível segundo mandato, essas creches estarão prontas?
A gente quer entregá-las todas até o ano que vem. Não é uma tarefa simples; são R$ 960 milhões de investimento. Quando cheguei ao governo, apenas 22% das crianças sabiam ler e escrever na idade certa. O problema está na origem.
Cuidar das crianças em creches em tempo integral, com alimentação e estímulos adequados, é fundamental. Cada obra dessas custa em torno de R$ 6 milhões, entregando a creche equipada com ar-condicionado e cozinha industrial, além de custearmos o primeiro ano de funcionamento.
Já estamos inaugurando várias unidades e vamos chegar a 100 até o final do ano, avançando para concluir o restante no próximo mandato. Hoje, o percentual de crianças alfabetizadas na idade certa no estado subiu de 22% para 64%, fruto do maior investimento em educação da nossa história através do programa Juntos pela Educação.