Lula cobra celeridade no Caso Master e diz esperar Justiça sobre Vorcaro
Ao comentar a condução das investigações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula evitou fazer uma avaliação sobre os inquéritos
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta sexta-feira (14), que espera celeridade da Justiça no processo envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. A declaração ocorreu durante entrevista a três comunicadoras dos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, em que Lula também foi questionado sobre as investigações que envolvem seu filho, Luiz Cláudio Lula da Silva, o Lulinha.
Ao comentar a condução das investigações pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), Lula evitou fazer uma avaliação sobre os inquéritos. O presidente disse que um posicionamento poderia ser interpretado como um juízo de valor e afirmou não querer contribuir para o agravamento do conflito entre o Congresso e a Suprema Corte.
“É muito difícil para um presidente da República dar um parecer de como é que ele está vendo uma investigação”, afirmou.
Na sequência, Lula relatou que foi procurado pela primeira vez pelo Banco Central para tratar da situação do Banco Master. Segundo o presidente, sua orientação ao presidente da instituição foi para que a apuração seguisse o que determina a legislação, sem perseguições. “Eu não quero que você persiga ninguém. Eu quero que você faça o que a lei exige que você faça. Quem tiver errado, que pague o preço”, disse.
Lula afirmou que, após a atuação do Banco Central, o caso passou à esfera judicial e destacou que o Banco Master foi fechado e que Vorcaro está preso. O presidente ressaltou, porém, que o processo envolve muitas pessoas e cobrou rapidez na tramitação.“O que nós esperamos é que a Justiça saia da sua morosidade e entregue logo”, declarou.
A pergunta feita ao presidente também relacionou o caso Master ao senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mencionado pelas entrevistadoras em razão de ligações com Vorcaro, e observou que, na avaliação delas, o assunto teria perdido espaço no debate público enquanto as suspeitas envolvendo Lulinha continuam em evidência.
Lula, no entanto, afirmou que não pretende interferir ou emitir juízo sobre a condução das investigações. Segundo ele, o princípio deve ser o mesmo para aliados e adversários.
Ao falar sobre as apurações relacionadas a desvios de recursos de aposentados e pensionistas, o presidente afirmou que o próprio governo identificou e denunciou o esquema. Lula também disse que defendeu a abertura de uma CPI sobre o caso, mesmo avaliando que a oposição poderia utilizar politicamente a investigação.
Segundo o presidente, pessoas já foram presas, bens foram sequestrados e mais de R$ 4 bilhões teriam sido devolvidos a aposentados prejudicados. “Então nós estamos muito tranquilos”, afirmou.
Lula diz acreditar em filho, mas defende investigação
Questionado diretamente sobre as investigações envolvendo Lulinha, Lula afirmou acreditar na versão apresentada pelo filho, que, segundo ele, nega ter cometido irregularidades. O presidente, porém, disse que não pretende pedir o encerramento ou o arquivamento de processos envolvendo o filho. “Eu acredito nele, mas eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir o fechamento de processo do meu filho”, afirmou.
Lula disse que quer que o filho seja investigado e defendeu que, caso seja inocente, enfrente as acusações e prove sua versão. “Eu quero que ele seja investigado. Não tem problema nenhum. Eu só quero que ele faça como eu fiz”, declarou.
O presidente afirmou ainda que, caso o filho tenha cometido algum crime, deverá responder por seus atos. “Se meu filho tiver culpa, ele pagará”, disse. Ao justificar sua postura, Lula mencionou a própria trajetória e as acusações que enfrentou durante as investigações da Lava Jato. Ele afirmou que o filho conhece as dificuldades vividas pela família e que, por isso, sabe que não pode fazer nada errado.
A entrevista também levou Lula a recordar episódios de eleições anteriores em que, segundo ele, acusações contra seu filho ganharam destaque.
O presidente afirmou estar acostumado com esse tipo de situação e disse que sua defesa diante das acusações é baseada na “inocência”, no “caráter” e na “altivez”. Lula ainda recuperou uma declaração feita durante o período em que esteve preso, ao afirmar que não trocaria sua dignidade pela liberdade.
Confira a matéria no Correio Braziliense.