Zanin amplia investigação da PF sobre venda de decisões e mira segundo ministro do STJ
Após Moura Ribeiro, Marco Buzzi passa a ser investigado por decisão de Cristiano Zanin; magistrado afirma desconhecer a existência de inquérito
A investigação sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ganhou um novo desdobramento. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar o ministro Marco Buzzi, no âmbito da Operação Sisamnes.
Afastado do cargo desde fevereiro, após acusações de crimes sexuais, ele é o segundo integrante da Corte a se tornar alvo de investigação formal no caso, depois do ministro Moura Ribeiro, investigado desde 29 de maio.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, a apuração envolvendo Buzzi tem relação com diligências já realizadas pela Polícia Federal sobre pessoas ligadas ao círculo familiar do magistrado. Em uma fase anterior da investigação, relatórios da PF citaram a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro, em razão de sua relação profissional com um empresário investigado por suposta intermediação na venda de decisões judiciais.
Posteriormente, porém, um novo relatório elaborado pela própria Polícia Federal concluiu que não foram encontrados indícios que vinculassem a advogada ao esquema. Em nota, a defesa de Catarina Buzzi afirmou que o documento "afasta, de forma categórica, a hipótese de qualquer relação da advogada com venda de sentenças" e classificou como "descabidas" as tentativas de associá-la às investigações.
Também por meio de nota, Marco Buzzi afirmou que desconhece a existência de investigação contra si e declarou que "não tem relação com atividades de nenhum de seus familiares".
Outro processo
Paralelamente ao inquérito sobre a suposta venda de decisões, Marco Buzzi responde a um procedimento disciplinar no próprio STJ. O ministro está afastado das funções desde 10 de fevereiro, após ser alvo de denúncias de importunação sexual e assédio apresentadas por duas mulheres.
A defesa do magistrado nega as acusações e sustenta que Buzzi não praticou qualquer irregularidade. O afastamento é um procedimento disciplinar sem relação com a investigação conduzida pela PF sobre a venda de sentenças.
Moura Ribeiro
Na quarta-feira (23), veio à tona a informação de que Cristiano Zanin também havia autorizado a abertura de um inquérito contra o ministro Moura Ribeiro, no âmbito da mesma investigação.
Segundo A Procuradoria-Geral da Reúbklica (PGR), com base em um relatório da PF, decisões proferidas pelo magistrado passaram a ser analisadas em razão de suspeitas de ligação com o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, apontado como um dos principais investigados no suposto esquema de venda de decisões, além de sua esposa, Mirian Ribeiro.
Em nota, Moura Ribeiro afirmou desconhecer a existência de investigação sobre decisões de sua autoria. O ministro também informou que o ex-servidor citado foi exonerado após atuação considerada irregular e reiterou que sua trajetória de mais de quatro décadas na magistratura é incompatível com qualquer prática criminosa.
Até o momento, não há denúncia formal apresentada contra os ministros investigados. As apurações seguem sob sigilo no Supremo Tribunal Federal.