Eduardo Bolsonaro sugere trocar Pix pelo Zelle dos Estados Unidos
Ex-deputado propôs que o Brasil use o Pix e as terras raras como moeda de negociação com os Estados Unidos
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) sugeriu uma negociação do Brasil com os Estados Unidos em torno de uma troca do Pix por um sistema norte-americano de pagamentos. O filho "03" de Bolsonaro ainda sugere outra alternativa: ceder aos EUA exclusividade nas terras raras brasileiras para manter o Pix.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado federal afirmou que os Estados Unidos têm mecanismos semelhantes ao Pix, como o Zelle. “É o PIX dos Estados Unidos, aqui é o Zelle. Então dá pra você ir pra uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos. Dá pra você sentar, dá pra negociar”, afirmou.
Conhecido como uma espécie de “Pix norte-americano”, o Zelle é uma rede de pagamentos que permite transferir dinheiro entre contas bancárias, de forma integrada nos próprios aplicativos dos bancos, sem taxa, desde que o valor transferido esteja abaixo do limite diário. Caso a transferência seja feita com uma conta comercial, há cobrança de taxa.
Na visão do “filho 03” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é possível uma conversa que considere uma troca de interesses: o Pix pelas terras raras. “Eles têm interesses onde as nossas economias se complementam. Como, por exemplo, terras raras. Manganês, que os Estados Unidos importam 100% do manganês, e o Brasil é um grande produtor de manganês”, disse.
Sanção estadunidense
A manifestação ocorre em meio à expectativa de que os Estados Unidos imponham sanções comerciais ao Brasil. A preocupação ganhou força após a recente decisão do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) de abrir uma investigação com base na Seção 301 para avaliar possíveis medidas contra o país, considerando o Pix.
Diante desse cenário, na terça-feira (2/6), o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), irmão de Eduardo, enviou uma carta ao secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pedindo que o governo norte-americano não aplique tarifas comerciais ao Brasil. Na correspondência, ele manifestou preocupação com o avanço da investigação, além de agradecer pela classificação das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.
Apesar de as tarifas ainda não estarem em vigor, o parlamentar sustentou no texto que novas taxas seriam prejudiciais à economia nacional. Ele fundamenta sua tese apontando o endividamento público crescente, a alta inadimplência e o volume sem precedentes de pedidos de recuperação judicial. Segundo Flávio, punições alfandegárias prejudicariam diretamente a população brasileira, que mantém uma relação de amizade e parceria com os americanos.
Na terça-feira (2/6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exibiu, durante um evento em Goiás, um cartaz com os dizeres: “o Pix é do Brasil”. Já na quarta-feira (3/6), o senador Flávio respondeu à manifestação ao mostrar, em um evento na Grande BH, um cartaz com a frase: “Pix é do Brasil e do Bolsonaro”.
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