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Deputados denunciam corte de R$ 1,5 bilhão na saúde e fechamento de 226 leitos em Pernambuco

Bancada do PSB apresenta relatório após vistorias em grandes hospitais do Recife, acusa gestão Raquel Lyra de omissão e vai acionar Ministério Público e TCE.

Por Mariana de Sousa

Deputados também apresentaram imagens e relataram situações encontradas em visitas recentes às unidades estaduais

Deputados estaduais da oposição na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) denunciaram, nesta terça-feira (26), um suposto agravamento da crise na saúde pública estadual na gestão Raquel Lyra (PSD). Os parlamentares atribuem o cenário à redução de investimentos e à diminuição do número de leitos hospitalares na rede estadual.

Sileno Guedes, presidente da Comissão de Saúde da Alepe, Rodrigo Farias, vice-presidente da Assembleia, Diogo Moraes e Eriberto Medeiros, todos do PSB, apontam que Pernambuco teve uma queda de cerca de R$ 1,5 bilhão nos recursos destinados à saúde e redução de 226 leitos nos últimos anos, segundo dados apresentados durante coletiva na Alepe.

Os deputados também criticaram o fechamento de unidades hospitalares, a demora em reformas e a ausência de novos equipamentos de saúde no estado. Durante a coletiva, eles relataram visitas realizadas a hospitais como o Hospital da Restauração, Hospital Getúlio Vargas, Hospital Agamenon Magalhães e Hospital Otávio de Freitas, onde afirmam ter encontrado superlotação, pacientes em corredores, infiltrações, falta de iluminação e denúncias de presença de ratos e urina em áreas hospitalares.

O presidente da Comissão de Saúde afirmou que o grupo decidiu aprofundar a investigação após o aumento de denúncias recebidas sobre o funcionamento da rede estadual.

“O que nos traz aqui é o conjunto de denúncias, insatisfações e situações que vêm acontecendo na saúde pública em Pernambuco. A população que frequenta os hospitais sabe exatamente o que estamos falando. Os investimentos anunciados não estão minimizando o sofrimento das pessoas”, declarou.

Segundo o parlamentar, o cenário atual é consequência da redução de investimentos e do fechamento de unidades hospitalares sem compensação na ampliação da rede. “Quando você reduz orçamento, fecha hospitais e reduz leitos, o resultado é o que estamos vendo: superlotação, demora no atendimento, demora para exames, cirurgias e consultas”, afirmou.

Os deputados citaram como exemplos o fechamento do hospital de retaguarda no bairro do Bongi, no Recife, e do Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, após a inauguração do Hospital da Mulher. Segundo eles, a substituição reduziu a capacidade de atendimento obstétrico na região.

“Se você somasse o Hospital Jesus Nazareno com o Hospital da Mulher, poderiam ser realizados cerca de 1.100 partos por mês. Mas o Jesus Nazareno foi fechado e o Hospital da Mulher realiza cerca de 400 partos mensais”, disse Diogo Moraes.

O Hospital Nossa Senhora Aparecida, em Paulista, adquirido pelo Governo de Pernambuco por cerca de R$ 170 milhões, também foi apontado. Os parlamentares afirmam que a unidade permanece fechada desde a compra.

“A gente encontra 170 milhões que foram gastos para desapropriar um prédio há 9 meses atrás e esse prédio ainda continua fechado. Além do corte do investimento, ainda é um investimento mal feito, um investimento sem trazer resultado, do atendimento da saúde do povo de Pernambuco”, criticou Rodrigo Farias.

Durante a coletiva, os deputados também apresentaram imagens e relataram situações encontradas em visitas recentes às unidades estaduais.

“No Hospital Agamenon Magalhães encontramos quartos escuros, sem lâmpadas, pacientes levando ventiladores de casa porque os equipamentos não funcionam. Macas espalhadas pelos corredores e pessoas esperando atendimento há vários dias”, detalharam os deputados.

Já no Hospital Getúlio Vargas, Eriberto Medeiros relatou problemas estruturais e superlotação. “Vimos pacientes embaixo de goteiras, enfermarias superlotadas, acompanhantes dormindo no chão e pacientes há mais de 15 dias esperando cirurgia”, declarou.

Os parlamentares também citaram um relatório técnico da própria Secretaria Estadual de Saúde que aponta risco estrutural e presença de fezes e urina de ratos em área de armazenamento de equipamentos médicos no Hospital Agamenon Magalhães.

Segundo Sileno, o grupo pretende encaminhar um relatório com as denúncias ao Ministério Público de Pernambuco, Tribunal de Contas do Estado (TCE), Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e à Secretaria Estadual de Saúde.

“A gente constata uma conta que não fecha. Se você reduz orçamento, reduz leitos e fecha unidades, o resultado inevitável é o colapso da saúde pública”, afirmou o deputado em coletiva à imprensa.

Gestão estadual se posiciona

A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, e a secretária estadual de Saúde, Zilda Cavalcanti, rebateram ainda nesta terça-feira (26) as críticas feitas pelos deputados da oposição sobre uma suposta redução de investimentos e de leitos na rede pública estadual de saúde.

Ao comentar as denúncias apresentadas por parlamentares do PSB na Alepe, Raquel Lyra negou cortes no orçamento da saúde e afirmou que o governo vem realizando “o maior investimento da história” da área em Pernambuco. “Não houve redução. O ano passado a gente fechou o maior investimento desde o início da série histórica”, afirmou a governadora.

Raquel ainda afirmou que sua gestão herdou uma rede de saúde “sucateada” e tem investido na reforma de hospitais, compra de equipamentos e ampliação dos serviços. “Nós estamos trabalhando de maneira muito séria, é, não só contratando novos profissionais, mais de 13.000 novos profissionais na área de saúde contratados, mas reformando todos os equipamentos, garantindo o novo parque tecnológico, zerando filas de exames e cirurgias e sendo campeões do Brasil em cirurgias eletivas”, disse.

A secretária Zilda Cavalcanti afirmou que os dados apresentados pela oposição “não correspondem à realidade” e negou redução de leitos na rede estadual.

“Foi alegado que a gente fechou leitos na saúde e isso definitivamente não corresponde à realidade. Nós tivemos a abertura de 670 novos leitos com reformas, ampliações e construções que já estão em andamento”, afirmou.

De acordo com a secretária, o Governo de Pernambuco prevê entregar 1.500 novos leitos hospitalares de forma regionalizada. Zilda também destacou investimentos superiores a R$ 500 milhões na saúde em 2025, valor que, segundo ela, supera os registrados nos anos anteriores. “O maior investimento dos últimos anos tinha sido de cerca de R$ 140 milhões por ano. Em 2025 foram mais de R$ 500 milhões investidos”, declarou.

A secretária ainda afirmou que as mudanças promovidas pela gestão estadual podem ser percebidas pelos profissionais que atuam na rede pública.

“Quem trabalha dentro dos hospitais sabe da revolução que a gente tem feito, não somente na estrutura física, mas em equipamentos, mobiliário, troca de leitos, poltronas, tomógrafos e hemodinâmica”, disse.