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Paraguai: Constituição prevê ex-presidente como senador vitalício, salvo em caso de impeachment

Santigo Peña renunciou minutos antes da Câmara aprovar por unanimidade acusação constitucional contra ele

Por Estadão Conteúdo

Deputados participam de uma sessão extraordinária para decidir impeachment do presidente Santiago Peña, no Congresso Nacional, em Assunção

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, em meio à crise bancária provocada pelo colapso do Banco Ueno, coloca em foco uma disposição constitucional que garante aos ex-presidentes eleitos democraticamente uma cadeira vitalícia no Senado. O benefício, contudo, pode ser perdido em caso de condenação por impeachment, processo cuja abertura foi aprovada nesta quinta-feira (5) pela Câmara dos Deputados paraguaia.

O artigo 189 da Constituição paraguaia estabelece que "os ex-presidentes da República, eleitos democraticamente, serão senadores vitalícios da Nação, salvo se tiverem sido submetidos a julgamento político e considerados culpados". Esses parlamentares têm direito a voz, mas não a voto, e não integram o quórum das sessões.

Peña anunciou sua renúncia minutos antes de a Câmara aprovar, por unanimidade, com 78 votos, a acusação constitucional contra ele. O processo foi encaminhado ao Senado, responsável pelo julgamento político. Segundo o artigo 225, uma eventual condenação exige maioria absoluta de dois terços dos senadores e tem como finalidade a destituição do cargo. Em casos de suspeitas de crimes, os antecedentes são enviados à Justiça comum.

A Constituição não esclarece expressamente se o julgamento pode prosseguir após a renúncia, o que deixa em aberto a situação de Peña em relação à cadeira vitalícia. O texto também não assegura explicitamente foro privilegiado aos ex-presidentes nessa condição.

Enquanto isso, o Banco Central do Paraguai (BCP) informou que trabalha para viabilizar o pagamento das verbas rescisórias dos funcionários do Banco Ueno, após a quebra da instituição. Segundo comunicado, a previsão é efetuar os pagamentos nos próximos dias, sem data definida. Cerca de 7 mil trabalhadores foram afetados pelo fechamento da instituição, e funcionários do banco e de outras empresas do Grupo Vázquez protestaram nesta quinta-feira para cobrar salários atrasados e indenizações.