Rússia lança ofensiva contra hospital na Ucrânia e deixa mais de 70 feridos
Ataques a Kharkiv e Kherson deixam dezenas de feridos e forçam evacuação de pacientes; escalada ocorre em meio a reuniões agendadas nos Emirados Árabes Unidos e nos Estados Unidos
Na madrugada desta terça-feira (3), a Rússia launched uma ofensiva contra a cidade de Kharkiv, na Ucrânia, bombardeando um hospital e deixando pelo menos 73 feridos. Paralelamente, outras frentes de ataque atingiram a região de Kherson, onde outro hospital local registrou dezenas de feridos e teve de evacuar 200 pacientes.
A escalada militar russa ocorre em meio à preparação para a próxima reunião entre autoridades de Moscou e Kiev, agendada para novas conversações de paz mediadas pelos Estados Unidos, em Abu Dhabi.
Contudo, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusou o governo russo de tentar destruir a perspectiva de um acordo de paz e de demonstrar, com as recentes ofensivas, que não deseja o fim das hostilidades. Zelensky afirmou ainda que a Rússia compromete qualquer "progresso rumo à paz", denunciando um outro bombardeio que provocou a morte de 29 pessoas durante a distribuição de ajuda humanitária no sudeste do país.
Mediação diplomática e encontro nos Emirados Árabes
O enviado norte-americano Steve Witkoff confirmou o encontro trilateral na capital dos Emirados Árabes Unidos para os dias 10 e 11 de novembro. Witkoff adiantou que as partes discutirão o fim da guerra, além das disposições de segurança para o pós-conflito, os esforços humanitários e a desescalada das tensões.
Por sua vez, Zelensky declarou que sua expectativa para as negociações é que sejam abordadas futuras garantias de segurança para a Ucrânia, bem como um pacote de prosperidade voltado à reconstrução do país. O líder ucraniano enfatizou, no entanto, que o encontro deve abrir caminho para reuniões em nível de chefes de Estado e de Governo, reiterando que não haverá paz estável a menos que a Europa esteja representada na mesa de negociações.
Enquanto isso, a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, receberá autoridades da Rússia e da Ucrânia na Casa Branca na próxima quinta-feira (5), para tratativas sobre o cessar-fogo na cidade de Oleshky, no sul do território ucraniano, iniciativa que contou com sua mediação.
O cessar-fogo em Oleshky foi uma trégua humanitária temporária na cidade ocupada por forças russas desde 2022, destinada a permitir a retirada segura de civis e a entrada de comboios com alimentos, medicamentos e suprimentos antes do inverno. Cerca de 800 pessoas foram retiradas da área.
A trégua durou seis dias e foi encerrada em 1º de novembro de 2026. Organizadores e autoridades russas afirmaram que a trégua ocorreu sem violações; por outro lado, militares ucranianos acusaram as tropas russas de aproveitarem a pausa para fortalecer posições táticas no terreno.
Encontro multilateral na Bélgica
Além disso, a Comissão Europeia anunciou novas discussões sobre a Ucrânia para a próxima quarta-feira (4), em Bruxelas, reunindo representantes norte-americanos, ucranianos, principais aliados europeus, integrantes da Organização do Tratado do Atlântico Norte e o Banco Mundial.
A reunião tratará das garantias de segurança, do plano de recuperação econômica e da reconstrução pós-guerra, servindo como base para uma nova fase de contatos diplomáticos focados em uma "paz duradoura e sustentável". Os principais pontos da agenda incluem:
- Arranjos de segurança: discussão sobre as garantias para Kiev e o desenho da futura arquitetura de defesa do continente europeu;
- Recuperação econômica: planejamento focado no pacote de desenvolvimento pós-conflito, motivo pelo qual o Banco Mundial integra as conversas;
- Alinhamento estratégico: articulação com aliados ocidentais e com a liderança da aliança militar atlântica, que buscam garantir papel ativo nos termos de paz para evitar que as decisões fiquem restritas a Washington e Moscou.