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Movimento de estudantes na Sérvia conquista vitória histórica contra ex-presidente

O movimento de protesto derrotou o ex-presidente do país, Aleksandar Vui, do Partido Progressista Sérvio (SNS), que disputava o cargo de primeiro-ministro

Por Isabel Alvarez

Apoiadores de chapa que concorre nas eleições gerais na Sérvia, em ato no centro de Belgrado, na Sérvia.

Os resultados das eleições legislativas antecipadas na Sérvia, realizadas neste domingo (25), deram vitória com maioria absoluta à "Lista Estudantil - Os Estudantes Vencem". O movimento de protesto derrotou o ex-presidente do país, Aleksandar Vui, do Partido Progressista Sérvio (SNS), que disputava o cargo de primeiro-ministro.

O movimento constituído pelos estudantes apresentou uma lista composta por candidatos provenientes de diversos segmentos da sociedade sérvia. O grupo anticorrupção atraiu eleitores em todo o país contrários ao atual governo.

Vui, líder populista de direita e nacionalista, reconheceu a derrota em um pleito que registrou a maior participação em eleições legislativas no país em mais de 30 anos, com quase 70% de comparecimento. Projeções apontam que a "Lista Estudantil – Os Estudantes Vencem" conquistou cerca de 53% dos votos.

As celebrações tomaram conta do país em uma conquista considerada histórica. Houve comemorações nas cidades, com queima de fogos de artifício e população nas ruas entoando gritos de “Vitória” e “A Sérvia está livre”. O principal candidato da chapa, o cardiologista Ilija Srdanovi, declarou que a Sérvia será um Estado livre e que o objetivo do movimento foi libertar o país da tirania.

Apesar do clima de festa, foram relatados diversos incidentes violentos durante a votação em todo o país, incluindo agressões a jornalistas, observadores eleitorais e cidadãos.

Anos de protestos

O movimento estudantil buscava derrotar o grupo político de Vui, no poder desde 2012, após quase dois anos de intensas manifestações contra o governo. Os protestos começaram no final de 2024, após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, segunda maior cidade da Sérvia, que deixou 16 mortos. O acidente foi atribuído à corrupção e à falta de fiscalização do poder público.

O episódio desencadeou a maior onda de mobilização popular no país desde a queda do regime de Slobodan Miloevi, no ano 2000.

Trajetória de Aleksandar Vui

Aleksandar Vui cumpriu dois mandatos como presidente da República e não podia disputar uma reeleição consecutiva para o cargo. Diante disso, renunciou à Presidência para liderar a campanha do SNS com o objetivo de retornar ao posto de primeiro-ministro, ocupado por ele até 2017.

O político também atuou como ministro da Informação da Iugoslávia sob o regime de Miloevi, entre 1998 e 2000. Durante a gestão, implementou leis restritivas à liberdade de imprensa, aplicou multas a jornalistas independentes e tirou do ar redes de televisão estrangeiras. Foi nesse período, em julho de 1995, como dirigente do Partido Radical Sérvio, pouco antes de assumir o ministério, que proferiu declarações nacionalistas extremas relacionadas ao massacre de Srebrenica. Anos mais tarde, rompeu com o grupo radical e fundou, em 2008, o pró-europeu Partido Progressista Sérvio (SNS).