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França proíbe protestos independentes e reforça aparato de segurança

Macron chama atos de "ilegítimos" e acusa a extrema esquerda de querer "derrubar a República"

Por AFP e Estadão Conteúdo

O presidente da França, Emmanuel Macron, se reuniu com conselho de segurança nesta quinta-feira (22)

O presidente francês, Emmanuel Macron, proibiu ações de protestos independentes nos próximos dias, classificadas como “ilegítimas”. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (22), após reunião com ministros e representantes de serviços de inteligência, no Palácio do Eliseu. 

Por outro lado, manifestações organizadas por sindicatos contarão com trajetos alternativos. Segundo o governo do liberal, o objetivo é proteger estabelecimentos comerciais. As mobilizações assumiram outro patamar no sábado (17), quando alguns manifestantes passaram a invadir, depredar e saquear lojas de grife.

Vídeos circulam nas redes sociais com invasões à sede da Louis Vuitton, onde os supostos manifestantes deixam o local com peças de roupa e bolsas. Outras marcas, como Dior e Hermès, além da loja da Sephora, também foram saqueadas. Uma unidade da Hugo Boss foi incendiada no centro de Lyon no mesmo dia.

Macron atribui os atos a grupos de “extrema esquerda” e os acusa de querer “derrubar a República”. “Tivemos, ao mesmo tempo, atos políticos e até mesmo sediciosos, realizados por grupos organizados de extrema esquerda cujo objetivo é derrubar a República”, declarou o presidente da França.

Os serviços de inteligência foram acusados de não terem previsto a magnitude da mobilização no sábado. Após os atos violentos, as autoridades determinaram um toque de recolher por três noites em áreas de várias cidades, como Paris e Lyon, a terceira maior do país.

A revolta pelos cortes na educação e que passaram a pautar o alto custo de vida na França abalou o governo a poucos meses das eleições presidenciais de abril e maio de 2027, nas quais Macron não pode concorrer e a ultradireitista Marine Le Pen aparece como favorita, segundo as pesquisas.

Os organizadores das manifestações, o movimento dos “coletes amarelos” e os sindicatos, preveem mais protestos em nível nacional para este sábado (24), além de uma greve geral e manifestações em 5 de novembro.

O governo informou que, neste fim de semana, mobilizará veículos blindados e unidades de elite da polícia e da gendarmeria. Também será acionada a missão Sentinelle, composta por militares que, habitualmente, ficam encarregados de vigiar locais movimentados e monumentos.

O nível de coerção no sábado será “20% superior” ao da semana passada, segundo o Ministério do Interior. Os confrontos entre manifestantes e a segurança já têm sido ostensivos. No último dia 17, um manifestante perdeu uma das mãos, após a explosão de uma granada lançada pelas forças de segurança.

As autoridades de algumas cidades, como Lyon, Rouen e Toulon, proibiram os protestos de sábado, uma decisão considerada “liberticida” pela oposição. O objetivo é evitar que se repitam cenas como as ocorridas no último sábado.

De protestos estudantis a um movimento social mais amplo

As manifestações começaram no mês passado em uma escola de ensino médio em Créteil, a sudeste de Paris, devido à falta de funcionários. A partir dali, greves estudantis, bloqueios e manifestações se espalharam para outros subúrbios parisienses e, posteriormente, para todo o país, incluindo cidades menores.

Estudantes do ensino médio manifestaram preocupação com o financiamento insuficiente das escolas, a deterioração das instalações e a escassez de funcionários, especialmente em bairros de menor renda. Alguns também reivindicaram uma reforma do sistema de admissão às universidades, considerado por muitos complexo e injusto.

Diante da incapacidade do governo de atender às reivindicações dos estudantes, as manifestações e os bloqueios de escolas se transformaram em protestos mais amplos contra a disparada do custo de vida, a poucos meses da eleição presidencial do próximo ano, que escolherá o sucessor de Macron