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Houthis atacam palácio presidencial no Iêmen e escalam guerra contra forças iemenitas e sauditas

Os rebeldes Houthis reivindicaram a autoria da ação, alegando ter mirado um centro de operações militares sauditas que funciona no complexo

Por Isabel Alvarez

Imagem mostra combatentes ligados ao governo iemenita apoiado pela Arábia Saudita em confronto com forças houthis na província de Al-Jawf

O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, apoiado pela coligação militar liderada pela Arábia Saudita, informou que mísseis disparados pelo grupo Houthis atingiram o palácio presidencial Al-Maashiq, em Áden, nesta quinta-feira (15). O ataque matou dois integrantes da equipe de segurança do primeiro-ministro Shaya Al-Zindani.

"O primeiro-ministro Shaya Al-Zindani e membros do governo estão em segurança após um ataque com mísseis da milícia Houthi, apoiada pelo Irã, no palácio Al-Maashiq, na capital interina, Áden", afirma a nota oficial.

Os rebeldes Houthis reivindicaram a autoria da ação, alegando ter mirado um centro de operações militares sauditas que funciona no complexo. Segundo o grupo, o bombardeio faz parte de uma estratégia de retaliar esses destacamentos onde quer que estejam. "As instalações militares sauditas, onde quer que se localizem, são alvos legítimos para as nossas forças", diz o comunicado, no qual os rebeldes voltaram a alertar companhias aéreas de que o espaço aéreo saudita não é seguro.

Balanço de vítimas

Já a coligação liderada pela Arábia Saudita, que atua no Iêmen desde 2015 em apoio ao governo local, informou que os recentes ataques promovidos pelos Houthis entre 1º e 11 de outubro deixaram 19 mortos e 364 feridos em território saudita.

Em Riade, o porta-voz militar Turki al-Maliki afirmou que o Aeroporto Internacional Rei Khalid, na capital, ponto mais atingido, sofreu 20 investidas desde o início do mês com o disparo de 10 drones, mísseis e projéteis, contabilizando 17 mortos e 333 feridos. A coligação informou ainda ter interceptado hoje outro míssil sobre a cidade de Medina.

"Os ataques dos Houthis demonstram a crescente ameaça representada pelo grupo apoiado pelo Irã à Arábia Saudita, à segurança regional e às rotas marítimas internacionais", pontuou a aliança militar, assegurando que as operações prosseguirão para neutralizar o poder bélico do grupo conforme o direito internacional humanitário.

Em paralelo, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Pascal Confavreux, anunciou que o país começou a mobilizar recursos operacionais no âmbito de um acordo para proteger instalações petrolíferas sauditas, sem detalhar o contingente enviado à Arábia Saudita.

Impacto no mercado internacional de energia

A escalada militar ampliou as preocupações no mercado global de energia sobre a oferta de petróleo, a segurança do transporte marítimo e a alta dos combustíveis. Os alvos das ofensivas atingem com frequência infraestruturas petrolíferas e rotas essenciais, como o Estreito de Bab el-Mandeb, gargalo estratégico que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico, rota onde os Houthis vêm expandindo presença militar.

No início da semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou a milícia iemenita de tentar inflacionar os preços globais do petróleo e sugeriu que o regime do Irã estaria incentivando a nova onda de ataques.