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Europa Ocidental registrou o verão mais quente de sua história

A temperatura média foi de 21,7°C, o que representa 2,5°C acima da média de 1991-2020

Por Isabel Alvarez

Milhões de pessoas na Eureopa enfrentam calor extremo

O Copernicus, programa da União Europeia de monitoramento ambiental e climático do mundo, anunciou hoje que o verão do hemisfério norte foi o mais quente na história da Europa Ocidental. A temperatura média foi de 21,7°C, o que representa 2,5°C acima da média de 1991-2020.

“Esta época de verão se caracterizou por ondas de calor extremas e condições de seca em toda a Europa, com uma percentagem recorde de 52% do território do continente exposto a um estresse térmico - uma sensação térmica de 38ºC ou mais - muito intenso no final da estação” explicou num comunicado o órgão gerido pela Comissão Europeia em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA).

Na Europa Ocidental foi ultrapassado o recorde de temperatura estabelecido em 2003 e foi registrado 17 dias em que, pelo menos, 60% do território marcou temperaturas superiores a 30°C, superando os 11 dias de 2003 e os sete de 2025.

"Em vastas zonas do continente, registraram simultaneamente ondas de calor sem precedentes, secas generalizadas, caudais fluviais excepcionalmente baixos e temperaturas marinhas invulgarmente elevadas. As consequências "foram muito além dos recordes de temperatura, uma vez que afetaram a disponibilidade de água, os sistemas energéticos, os transportes, os ecossistemas e a saúde humana", declarou Samantha Burgess, responsável estratégica pelo clima do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo (CEPMPM).

Burgess alertou para a importância de se desenvolver resiliência diante dos riscos climáticos cada vez mais interligados.

Alguns dos principais rios europeus, entre os quais Reno, Danúbio, Loire e Ródano, registraram volumes de água muito abaixo dos mínimos históricos, o que perturbou o transporte de mercadorias, assim como a produção de energia nuclear e hidroelétrica. De um modo geral, no continente foram registrados no verão os caudais mais baixos desde o início dos registros do Sistema Europeu de Alerta de Inundações (EFAS) em 1992.

Por outro lado, em grande parte da costa atlântica e do Mediterrâneo ocidental e central, foi verificado o registro de temperaturas recorde ou próximas dos recordes na superfície do mar.

Além disso, o calor e a seca contribuíram para uma época de incêndios florestais excepcionalmente ativos. De acordo com o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, a área ardida em toda a UE era quase o dobro da média de 2006-2025 para essa época do ano, com uma atividade especialmente extensa na França e na Espanha.

Os incêndios aumentaram cerca 9% em relação a 2025 e este ano se registrou o maior número de fogos desde 2022, sendo também o sexto ano da década com mais incêndios.